O violão Giannini N-14 é bom para iniciantes e realizamos uma análise para demonstrar isso nesse artigo. Esse violão é um modelo de entrada pertencente a série Start da Giannini. Ele tem uma qualidade de construção, conforto e acabamento minimamente necessários para proporcionar a quem está começando o aprendizado no instrumento ou apenas toca por hobby.
Introdução
Pessoa verificando o Giannini N-14
Muitas pessoas têm medo de comprar um primeiro violão ruim e que não atenda suas necessidades. Por isso, muitas pessoas tentam encontrar um modelo iniciante que seja seguro e confiável. Não importa se o motivo é aprender a tocar com os amigos e a família em festas e passeios ou para estuda-lo mais a fundo (aprendendo desde músicas mais simples as mais complexas). Essa é uma preocupação legítima e o violão Giannini N-14 também passa pelo questionamento de possíveis compradores se é ou não adequado para iniciantes.
As maiores preocupações que existem ao escolher o primeiro violão é o de gastar dinheiro comprando um instrumento errado seja pela qualidade ruim na construção, timbre, projeção sonora e outros aspectos importantes. Nesse artigo você vai ver como que o Giannini N-14 pode ser uma escolha segura para iniciantes e quais critérios utilizamos para chegar nisso.
O que um iniciante precisa em um violão?
Homem em loja de instrumentos musicais
Para quem vai iniciar no violão, o instrumento não precisa ter o melhor timbre ou ser todo maciço ou mesmo elétrico, e sim é fundamental que ele atenda de forma minimamente satisfatória aos seguintes requisitos:
Construção: A construção do violão deve ser minimamente adequada independente do tipo de madeiras e ferragens utilizados para que o instrumento mantenha-se estruturalmente íntegro pelo maior tempo possível e evite causar gastos com manutenção desnecessários no começo.
Caso isso não ocorra, pode acontecer problemas dos mais simples aos mais graves, como, por exemplo, descolamento de partes (tampo), problemas na afinação e entonação (gravíssimo se o instrumento não foi construído seguindo uma proporção matemática correta), empenamento de braço (pior se não tiver um tensor).
Conforto e Ergonomia: O iniciante precisa conseguir fazer as notas com o maior conforto e ergonomia possível. Para isso é importante que o violão esteja com o acabamento adequado na escala e nos trastes (com as pontas arredondadas) e devidamente regulado (principalmente a altura das cordas) para que não haja desconfortos desnecessários e evitáveis.
Cordas Leves: É importante para conseguir fazer as notas e acordes no braço, principalmente as pestanas, com mais facilidade utilizando cordas de nylon com tensão leve porque são mais macias. Ainda que o encordoamento de tensão leve seja mais limitado em relação a timbre e projeção sonora, mas compensa os benefícios de ergonomia e conforto nos estágios iniciais do aprendizado.
Facilidade para Transporte e Armazenamento: Se a pessoa interessada vai fazer aulas presenciais, levar o instrumento em viagens ou para uma festa em família ou amigos, os violões para iniciantes costumam ser construídos geralmente com madeiras laminadas, as quais são mais resistentes a variações de clima, umidade e condições de transporte. Isso não significa que sejam frágeis, e sim que não precisa ter preocupações muito maiores do que se fosse com um composto de madeiras sólidas.
Como o Giannini N-14 se comporta para iniciantes
Violão Giannini N-14 nas cores Natural e Preto
Conforme a análise que realizamos, o Giannini N-14 atende aos principais critérios mínimos que um violão iniciante precisa ter conforme descrito anteriormente.
Construção: Tem no geral uma qualidade de construção e acabamento satisfatório para um instrumento na sua faixa de preço e do tipo iniciante, o que permite que ele mantenha a afinação por um período de tempo considerável principalmente no começo do aprendizado.
Conforto e Ergonomia: Costuma vir de fábrica pré-regulado e com a altura da ação das cordas para nylon minimamente adequada. Isso ajuda o iniciante a fazer os primeiros acordes com menos esforço.
Cordas Leves: Por conta do encordoamento ser de nylon e tensão baixa, ele se torna um instrumento muito confortável para tocar no primeiro momento do aprendizado.
Facilidade para Transporte e Armazenamento: Por ser um instrumento composto de madeiras laminadas, é mais resistente ao transporte e as variações de umidade e temperatura, mas mesmo assim deve-se manter o cuidado com o instrumento.
Limitações para iniciantes
Giannini N-14 sobre uma mesa
As limitações que existem no violão Giannini N-14 são comuns para violões desse tipo, sendo assim nada que vai comprometer o início do aprendizado. Segue as principais limitações:
Regulagem: Por ser um instrumento produzido em escala industrial, pode acontecer de alguns casos o violão ser entregue com uma pré-regulagem não muito satisfatória para os iniciantes. Nesses casos pode ser necessário levar a um luthier para que ele faça a uma regulagem básica inicial. No entanto, de forma geral, a maior parte dos que são entregues a quem o adquiriu já o recebe praticamente pronto para começar a tocar.
Som Simples: Por ser um instrumento de construção mais simples, logo o timbre e a projeção do som são mais simples. No entanto, isso não impede o aprendizado porque, acima da qualidade do som, para quem está começando é importante que ele afine e tenha a entonação minimamente correta e o praticante saiba a mecânica de tocar as primeiras notas, acordes e dedilhados.
Limitações Futuras
Até um certo ponto no inicio, o iniciante conseguirá evoluir muito bem com o Giannini N-14 ou qualquer outro modelo de entrada. Quando os estudos chegarem em músicas que exigem uma necessidade maior de desenvolver a qualidade do timbre do instrumento ou mesmo tocar em público e para audiências maiores, nesse momento será necessário adquirir um instrumento de qualidade superior.
O iniciante consegue evoluir com ele?
Pessoa confiante tocando o Giannini N-14
Sim, é perfeitamente possível um iniciante evoluir de forma satisfatória no aprendizado usando o violão Giannini N-14. Até que haja a necessidade de desenvolver a fundo a dinâmica nas músicas ou mesmo se apresentar em público, o praticante vai aprender e solidificar as técnicas básicas na mão esquerda e direita, o que nessa etapa pode levar um tempo considerável.
Pode precisar de ajustes?
Depende muito das condições que o iniciante recebeu o instrumento, tenha ele sido comprado em uma loja ou emprestado de alguém. No geral, o instrumento já vem de fábrica pré-regulado e pronto para começar a tocar de início. No entanto pode acontecer de eventualmente alguém recebê-lo precisando de regulagem para corrigir eventuais problemas comuns e solucionáveis como cordas altas ou trastejamento por exemplo.
Se você perceber que o seu violão está com as cordas altas, um problema comum e solucionável, clique aqui para saber mais a respeito e o que fazer caso isso aconteça. Uma outra ocorrência também comum é as cordas do violão trastejarem, veja aqui para conhecer a respeito.
Minha Experiência e Percepção
Acredito que hoje ao aprender a tocar o violão, antes de querer um instrumento mais caro para tirar um timbre e projeção sonora excelente, o mais importante é a técnica, mecânica e condicionamento físico das mãos esquerda e direita além da postura e a consistência da prática no instrumento.
Se o instrumento proporcionar para nós mesmos uma construção e conforto adequados e nos mantivermos consistentes estudando corretamente, iremos evoluir em muito. Chegará um dia que iremos optar por um violão de qualidade superior para conseguir ou uma projeção sonora maior ou uma qualidade de timbre melhor. Qualquer professor de música minimamente qualificado vai cobrar de nós iniciantes a precisão da técnica e a qualidade mínima das músicas e exercícios que praticarmos no começo.
Conclusão
Dentro da proposta e faixa de preço, o Giannini N-14 é uma escolha segura para iniciantes ou pessoas que tocam como hobby conforme a análise que realizamos. Ele servirá por muito para quem está iniciando até que o desenvolvimento das técnicas básicas da mão esquerda e direita tenham sido alcançados. Também foi descrito quais pontos e situações no aprendizado ele não é mais apropriado, sendo necessário então adquirir um instrumento superior.
Próximo passo
Uma vez que você entendeu que o Giannini N-14 é adequado para iniciantes, conheça aqui nosso artigo no qual realizamos um review (resenha) para ele explicando em detalhes e se vale a pena ou não adquiri-lo.
Se estiver com seu violão trastejando (fazendo um “bzzz”), na maioria dos casos isso tem solução e não é um problema grave. Esse comportamento pode ser causado por regulagem, altura das cordas ou até pelo braço do instrumento.
É um problema comum e causado e resolvido geralmente com soluções simples mas que exigem um nível de conhecimento de entrada um pouco maior, sendo recomendado para isso que um luthier resolva. Nesse conteúdo você vai aprender como identificar, o que fazer, quando ajustar e quando levar a um luthier seu violão para solucioná-lo.
Introdução: O que é o violão trastejando
Pessoa inspecionando seu violão olhando rente do corpo para a cabeça
O trastejar no violão significa o fenômeno da vibração de uma ou mais cordas esbarrarem nos trastes (divisões de metal da escala no braço) quando tocadas. Isso pode ocorrer independente se a corda foi tocada solta ou com alguma casa pressionada. É um problema comum o qual pode ser causado por conta de regulagem, técnica ou desgaste do traste, resultando em um som metálico indesejado, frequentemente chamado de zumbido ou “fret buzz”.
Baseado em minha experiência prática como estudante e análise técnica desse tipo de instrumento, os riscos imediatos de não corrigir o trastejamento no violão são o prejuízo na qualidade do timbre e projeção do som do instrumento. Entretanto, dependendo do que causou o trastejar das cordas, danos maiores podem surgir no médio a longo prazo na estrutura física do instrumento além de poder prejudicar em muito a tocabilidade do mesmo. De forma geral, no entanto, esse problema é relativamente comum e as soluções não costumam ser complexas.
Como saber se o violão está trastejando
Existem formas simples e práticas de saber se as cordas do violão estão ou não trastejando. Todos que praticam esse instrumento independente do nível vão conseguir verificar se isso está ou não ocorrendo utilizando as formas a seguir.
Tocar as cordas soltas e em todas as casas
Demonstrando tocar todas as cordas soltas do violão
É um método bem simples, a primeira coisa a ser feita é para cada uma das cordas:
Toque essa corda solta em uma intensidade média para forte e ouça o som atentamente.
Toque essa corda pressionando da 1° a última casa do violão em uma intensidade média para forte e também ouça o som atentamente para cada vez que a tocar.
Se acontecer de ouvir, para cada vez que tocar a corda em uma posição, um som metálico, algo como “bzzz”, e houver uma perda do sustain, isso indica que ela está trastejando. Isso pode acontecer tanto quando a corda é tocada solta (sem ter uma casa pressionada) quanto em alguma casa específica do braço do violão.
Demosntrando tocar cada casa de cada corda do violão
Observação
Ao tocar a corda da 1° a última casa no braço do violão, para cada vez que pressionar, lembre-se de colocar a ponta dos dedos o mais próximo possível do traste a frente, nem em cima, nem muito atrás, pois isso pode acabar fazendo com que a vibração da corda encoste no traste sem necessidade.
Verificar visualmente as cordas
Trastes desgastados do violão
Você pode verificar visualmente também para ver se há ou não algum indicativo das cordas trastejando no braço do violão. Para fazer isso, você pode:
Verificar os Trastes: Segure o violão de uma forma que você consiga ver como estão os trastes (barras de metal na escala) do instrumento. Se alguns desses trastes estiverem com irregularidades como desgastes ou desnivelados (quando há pelo menos um traste mais alto ou baixo que o outro), isso pode causar esse tipo de problema.
Altura das Cordas no Meio do Violão: Verifique ou meça a altura da ação das cordas na região mais ao meio possível do violão (geralmente casa 12 do braço em violões de nylon e casa 14 nos de aço). Se estiverem abaixo ou muito abaixo do mínimo, isso também pode fazer com que elas trastejem.
Altura das Cordas no Meio do Braço do Violão: Pressionando a corda na casa 1 e a casa 12, verifique ou meça a altura da ação das cordas na região das casas 6 a 8. A corda nessa região deve ficar levemente distante do traste, pois se encostar totalmente, é sinal de que poderá acontecer esse tipo de ruído na primeira metade do braço.
É importante considerar que existem medidas mínimas padrões que à altura das cordas devem ter no meio do violão (casas 12 ou 14) e na primeira metade do braço (casas 6 ou 8). Essas medidas podem variar conforme alguns contextos de uso do instrumento e o tipo do mesmo, mas no geral para a maioria das pessoas e evitar o trastejamento segue o padrão abaixo.
Altura Mínima das Cordas por Tipo de Violão
Exemplo de altura minima para as cordas do violao de nylon na casa 12
A tabela abaixo demonstra a altura mínima das cordas em relação a parte mais alta do traste no meio do violão (casas 12 ou 14 conforme o tipo).
Tipo de Violão
Corda grave MI (6ª)
Corda aguda MI (1ª)
Aço
2,0 – 2,5 mm
1,5 – 2,0 mm
Nylon
3,0 – 3,5 mm
2,5 – 3,0 mm
A amplitude da vibração das cordas nos violões de aço é menor que comparado ao de nylon, logo a altura da ação das cordas pode ser um pouco menor. Na média a altura pode ser 2,25 mm na 6° corda mais grave e 1,75mm na 1° corda mais aguda. Em violões de nylon por conta da amplitude da vibração das cordas ser maior, a média pode ser 3,25 mm na 6ª corda mais grave e 2,75 mm na 1ª corda mais aguda.
A média de altura das cordas na sexta casa quando medida corretamente (pressionando a 1° e a 12°) deve ser entre 0,25 mm a 0,5 mm.
Uma outra forma mais simples de medir a altura das cordas que algumas pessoas recomendam é utilizar uma moeda de cinquenta centavos (R$0,50) nas versões mais novas, a mais grossa das moedas, e coloca-la logo abaixo da casa 12 ou 14 do violão de aço.
Dica de Especialista
Para verificar se existe trastejamento, utilize um ou mais dos métodos acima combinados. Para a maioria das pessoas que tocam o violão, principalmente iniciantes, a altura das cordas em relação ao ponto mais alto do traste deve seguir os padrões para que isso não prejudique principalmente o aprendizado no instrumento.
Por que o violão trasteja?
Uma vez entendido o que é trastejamento e as formas de descobrir se isso está ocorrendo ou não, é importante entender o porquê. Veja de forma resumida na tabela abaixo as principais causas disso e depois uma explicação mais aprofundada.
Causa
Onde acontece
Gravidade
Cordas baixas
Braço todo
Baixa
Trastes irregulares
Pontos específicos
Média
Braço empenado
Geral
Alta
Clima ou Umidade
Geral
Baixa
Altura das Cordas Muito Baixas
Altura minima para as cordas do violao de nylon na casa 12 muito baixas
Quando as cordas estão com a altura abaixo ou muito abaixo (distância da corda para o ponto mais alto dos trastes) do mínimo necessário, conforme padrões descritos anteriormente, aumenta em muito as chances da amplitude de vibração delas encostar nos trastes. Se causado única e exclusivamente por isso, as soluções possíveis podem ser realizadas através de ajustes no tensor ou na pestana e rastilho.
Trastes Desgastados ou Irregulares
Outro exemplo de trastes desgastados do violão
Os trastes do violão podem tendem a serem desgastados no médio a longo prazo à medida que o instrumento vai sendo utilizado. No entanto esse processo pode ser acelerado em muito se não for feito os devidos cuidados de limpeza e conservação do instrumento principalmente após o uso. Os trastes desgastados ou sujos, criam irregularidades facilitando com que a amplitude da vibração das cordas encoste e gere atritos no mesmo.
De acordo com o nível de desgaste dos trastes, a solução para isso pode ser um pouco mais complexa podendo envolver, por exemplo, uma retífica de trastes, tendo que ser realizadas por um luthier.
Regulagem Inadequada
Rastilho do violão muito baixo
A regulagem inadequada do violão pode ser uma causa do trastejamento porque isso favorece a altura baixa das cordas. Se a pestana estiver muito baixa, isso pode ocorrer principalmente nas primeiras três casas. Se o rastilho estiver muito baixo, isso pode ocorrer mais nas casas do meio para o fim do braço. Se ambos estiverem na altura correta, esse problema pode acontecer ou por conta do desnível em algum traste ou o braço estar desregulado, podendo ser ajustado cuidadosamente regulando o tensor.
Braço Empenado
braço com empenamento deixando ele levemente torcido
Pode ser considerado a principal causa do trastejamento do braço do instrumento, porque à medida que o tempo vai passando e as condições de uso e armazenamento, favorecem as distorções e as distâncias irregulares das cordas para os trastes. A solução para esse tipo de problema envolve geralmente ajustes no tensor ou outros tipos de ajustes que o luthier precise fazer caso a gravidade seja maior.
Empeno para Frente (Embarrigar): Quando o braço empena para a frente em direção às cordas, reduz as chances de trastejamento mas aumenta em muito a altura das cordas e pode causar esse problema em trastes mais altos se o empenamento for irregular.
Empeno para Trás (alívio excessivo ou lingueta de bambu): Quando o braço empena para trás na direção oposta das cordas, as chances delas trastejarem são maiores porque isso reduz a distância das cordas para os trastes.
Empeno por Torção (grave): Quando o braço torce pode fazer com que ou as cordas mais agudas ou as mais graves trastejem com mais facilidade. Se esse tipo de torção, considerada mais grave, for acompanhada dos outros tipos de empenamento, a gravidade pode ser ainda maior.
Clima ou Umidade
Violão sobre o efeito de umidade
Se o violão ficar sujeito a variações do clima (muito quente para muito frio e vice-versa) ou umidade (muito seco para muito úmido e vice-versa) de forma constante e sem os devidos cuidados, isso pode gerar deformações nas madeiras (empenamentos), principalmente no braço.
Violão trastejando tem solução?
Sim. Na maioria dos casos, o problema tem solução simples e envolve ajustes básicos de regulagem ou manutenção. Por uma questão de conforto, tempo, conhecimento e segurança, é melhor que um luthier faça esses ajustes porque mesmo as soluções mais simples podem exigir um nível de detalhe e cuidado um pouco maior.
Dá para resolver sozinho?
Sim, é possível resolver o problema de um violão trastejando sozinho, entretanto é fundamental identificar a causa certa que levou isso a ocorrer. Você pode tentar ajustes leves e cuidadosos no tensor ou trocar as cordas caso a causa sejam essas.
Se isso não resolver, pode ser necessário um pouco mais de conhecimento e técnica apropriada para identificar o problema e ainda mais para aplicar a solução, que pode vir desde ajustes simples na pestana e rastilho até o desempenamento do braço, o que pode ter que ser feito por um luthier com mais experiência.
Quando levar ao luthier
Quando perceber que mesmo após você ter realizado alguns ajustes leves com cuidado (tensor e troca de cordas) esse problema continua ocorrendo. Caso você também não tenha tempo para investigar a causa, não consegue identifica-la ou percebe que envolve um problema mais grave como o braço ou os trastes. Esses são todos os motivos que podem fazer você levar o violão para o luthier.
Como evitar o trastejamento no violão
Luthier verificando violão
Com soluções simples é possível evitar que as cordas do violão trastejem. São elas:
Manutenção Periódica: Realizar a manutenção do instrumento conforme o uso (a cada seis meses, doze meses, dois anos). Quanto mais praticá-lo, menor o tempo para levá-lo para manutenção, quanto menos, maior o tempo, até porque o desgaste será menor
Armazenar Corretamente: Procure armazená-lo em seu estojo ou capa e transportá-lo corretamente sempre se atentando a variações bruscas na umidade e temperatura
Limpar Corretamente: Após terminar sua sessão de estudos ou ensaios no instrumento, limpe-o corretamente, em especial os trastes e as cordas para evitar que as sujeiras e suor da pele se acumulem
Comprar um Instrumento Minimamente de Qualidade: Procure adquirir um instrumento cuja qualidade de construção seja minimamente satisfatória para evitar problemas principalmente de empenamento do braço
Consequências do violão trastejando
Pessoa desmotivada para tocar violão
As consequências das cordas do violão trastejarem são negativas para todos os praticantes desse instrumento, não importa seu nível de habilidade no mesmo, mas muito maior para os iniciantes. As principais consequências são:
Dificuldade de aprendizado: Quando as cordas trastejam, atrapalham o iniciante de conseguir:
Identificar o som corretamente das notas
Aplicar nelas a devida intensidade de força no ataque
Fazer com que as notas durem o tempo que precisam durar
Qualidade e Projeção do Som ruim: Os ruídos (bzzz) ao tocar as cordas reduzem a projeção e afetam o timbre das notas no instrumento além de poder prejudicar a entonação do violão
Desmotivação: Pesa negativamente, principalmente para o iniciante, porque um violão que tem a projeção, entonação e qualidade do timbre prejudicados desmotivam em muito quem toca nele
Minha experiência pessoal
Quando fui tocar com um violão que tinha algumas cordas em determinadas casas trastejando mais ao início de meu aprendizado, percebi que esse tipo de ruído estava afetando negativamente o tempo de duração que uma nota precisava ter dentro de um compasso da música. A nota dessa voz mais grave na música que eu estava tocando precisava durar o compasso inteiro, mas esse trastejo cortou o som para menos da metade, o que prejudicou em muito a interpretação.
Tive que levar meu violão ao luthier para que ele fizesse os devidos ajustes. Se fosse o caso de apresentar para o professor de violão ou em um concerto eu não poderia fazer isso com um problema desse tipo no violão.
Conclusão
Conforme aqui apresentado, um violão trastejando pode ser tão igual ou tão prejudicial o músico ou a quem o pratica quanto as cordas altas nesse instrumento. Não costuma ser um problema sério, pelo contrário, é muito comum de ocorrer e felizmente as soluções para isso não são muito complexas.
Esse problema precisa ser resolvido, e apesar de não ser difícil de identificar e suas soluções não serem muito complexas geralmente, requerem um entendimento e técnica mínima para realiza-las. Recomenda-se levar a um luthier caso você tenha tentado algumas coisas simples e o problema se manteve.
Agora que você entendeu como ocorre o trastejamento no violão, conheça aqui nosso guia explicativo sobre cada parte do violão e a função de cada uma delas. Veja aqui também caso deseje saber o que as cordas altas nesse instrumento causam.
O violão Giannini N-14 da série Start é um dos modelos mais populares para iniciantes no Brasil. Ele é indicado para iniciantes absolutos, com pontos fortes como:
Bem construído para sua proposta
Muito confortável (geralmente vem pre-regulado e tem cordas de nylon e tensão leve)
Tem um excelente custo-benefício até R$500,00 reais
Suas únicas limitações são:
Som limitado para uso profissional
Pode precisar de regulagem básica
Nosso veredito é de que ele vale a pena como um primeiro violão. Acompanhe a seguir como realizamos essa avaliação e como chegamos a essa conclusão.
Introdução: Como avaliamos o Violão Giannini N-14
Violão Giannini N-14. Fonte: site da própria Giannini
O violão da série Start Giannini N-14, é um dos modelos desse tipo de instrumento para iniciantes mais adquiridos e comentados por pessoas principalmente interessadas por iniciar o aprendizado desde os últimos anos no Brasil. Fizemos uma avaliação desse violão seguindo alguns critérios específicos para garantir que ele seja apropriado ao propósito ao qual é fabricado e vendido.
Nossa análise combina:
Dados técnicos do fabricante
Avaliações de usuários reais
Vídeos e testes disponíveis
Experiência prática do autor como estudante de violão, analisando instrumentos voltados para iniciantes e acompanhando na prática as dificuldades e evolução de quem está começando como dor nos dedos, nas mãos, regulagem e adaptação ao instrumento
Nosso objetivo é te ajudar a decidir com segurança se esse violão é uma boa escolha para começar.
Informações Técnicas do Giannini N-14
Ao decidir aprender o violão independente de qual seja o motivo (tornar-se um violonista profissional ou tocar para a família em festas), é importante que o instrumento de entrada para o iniciante, atenda a um nível de qualidade mínima para alguns critérios essenciais. Veja na tabela abaixo as especificações técnicas do Giannini N-14.
Componente
Especificação Técnica
Impacto para o Iniciante
Formato do Corpo (Shape)
Violão Clássico Padrão
Ideal para o aprendizado
Tampo, Laterais e Fundo
Linden (Basswood ou Tilia da China)
Proporciona leveza e um timbre suave
Braço
Linden (Basswood ou Tilia da China)
Madeira estável que facilita a empunhadura
Escala e Cavalete
Maple (tingido)
Superfície lisa para facilitar o deslizamento dos dedos
Encordoamento
Nylon (Tensão Leve)
Menor pressão nos dedos e menos formação de calos dolorosos
Acabamento
Verniz Brilhante
Protege o instrumento contra umidade e facilita a limpeza
Tarraxas
Tarraxas niqueladas de pino grosso (3+3)
Modelo com bom custo benefício
Tensor
Bi-direcional
Permite ajuste do braço, garantindo que as cordas fiquem sempre baixas e macias
Pestana e Nut
Material sintético ABS
Geralmente cor marfim ou branco
Encordoamento
Importado e junto da China
Giannini recomenda posteriormente trocar por cordas da própria empesa
Em resumo, com essas especificações técnicas, esse violão tem uma construção simples com um conjunto de componentes adequado para quem está começando. Na prática, isso torna o Giannini N-14 uma escolha segura para iniciantes que buscam conforto e facilidade no aprendizado.
Caso queira conhecer em mais detalhes cada parte do Violão, acesse aqui nosso guia introdutório a respeito. Veja abaixo as especificações detalhadas por cada parte desse instrumento.
Formato (Shape) do Corpo e Tipo de Cordas
Formato do corpo Violão Giannini N-14. Fonte: site da própria Giannini
Escolhemos avaliar esse modelo acústico com cordas de nylon e formato (shape) do corpo em estilo padrão clássico porque para quem está iniciando, é extremamente importante conseguir desenvolver toda a mecânica e a técnica dos principais movimentos, logo as cordas desse tipo e o formato clássico contribuem em muito para isso.
Tampo, Laterais e Fundo
Fundo e laterais Violão Giannini N-14.
As partes principais responsáveis quase que de forma unânime para a Projeção, Sustain e Timbre desse tipo de instrumento nesse violão é composta da madeira Tilia (Linden na Europa, Basswood na América do Norte e Duànmù na China). Ela tem baixa densidade além de ser muito leve e estável. Como comum em violões de entrada, ele é composto todo de Linden laminado.
Por conta desse instrumento ser fabricado na China, é provável que a Tilia utilizada seja de lá mesmo. Com essa madeira, o violão se torna, na prática, leve, resistente, estável mas tem uma menor projeção sonora.
Cabeça (Headstock), Braço, Escala e Cavalete
Cabeça e escala do Giannini N-14. Fonte: site da própria Giannini
O Braço e a Cabeça (headstock) são compostos também da madeira Linden, enquanto que o Cavalete e a Escala dos modelos atuais são feitos com Maple maciço pintado de uma cor escura. O Maple é uma madeira clara e que é tingida para escurecer, sendo uma característica comum em violões de estudo de entrada para dar uma aparência mais tradicional e limpa. Modelos mais antigos utilizavam a madeira Sabina maciça na escala e cavalete. Não é uma construção premium, mas cumpre bem seu papel.
Ferragens, Tarraxas, Nut e Pestana
Pestana do violão Giannini N-14Cavalete do violão Giannini N-14
Possui ferragens focadas em custo-benefício, com tarraxas niqueladas de pino grosso (3+3), rastilho e pestana em material sintético ABS (geralmente cor marfim ou branco). Uma vez que o linden não é uma madeira muito densa, esse modelo é equipado com tensor bidirecional para ajuste do braço, garantindo estabilidade e durabilidade ao instrumento.
Encordoamento
Cordas de nylon do violão Giannini N-14
As cordas desse instrumento são de nylon e com tensão leve por padrão, e são importadas da china junto com o instrumento. A própria Giannini recomenda trocar as cordas posteriormente para modelos da própria empresa.
Acabamento
O acabamento é feito verniz brilhante, o que ajuda proteger o instrumento. Entretanto deve tomar cuidados ao limpar o instrumento e com o que limpar para não prejudicar o verniz e as outras partes do mesmo.
Para quem o Giannini N-14 é Indicado?
Entender o perfil ideal para quem o Giannini N-14 é importante para evitar investimentos equivocados. Nos dias de hoje no mercado, há uma vasta oferta de instrumentos. Este modelo é focado no nicho de iniciantes no estudo de violão e música como um todo. Ele pode ser indicado também para quem eventualmente apenas quer um violão para hobby ou viagens sem gastar muito.
Em essência, ele não foi projetado para quem está no nível intermediário/avançado, gravações de estúdio de alta fidelidade ou mesmo palcos profissionais, mas sim como o primeiro instrumento de aprendizado de quem está estudando. Ou seja, se você está começando do zero, esse modelo atende exatamente o que você precisa nesse primeiro momento. Conheça aqui em detalhes como e porque esse modelo de violão é indicado para iniciantes.
O Perfil Ideal de Estudante
Esse modelo oferece uma estrutura minimamente confiável com um excelente valor custo benefício. Ele atende perfeitamente aos seguintes perfis:
Iniciantes Absolutos: Pessoas que nunca seguraram um violão e precisam de um instrumento macio (nylon) para desenvolver calos e força muscular sem dor excessiva.
Estudantes em Escolas de Música: Alunos que precisam de um violão leve para transportar entre as aulas e que siga as especificações padrão exigidas por professores.
Crianças e Adolescentes: Devido ao seu corpo leve e braço confortável, ele se adapta bem a jovens que ainda estão em fase de desenvolvimento físico.
Hobbistas de Ocasião: Quem deseja ter um violão em casa para tocar esporadicamente, sem a necessidade de investir milhares de reais em madeiras nobres.
Tabela de Aplicabilidade: O N-14 é para você?
Situação de Uso
Recomendação
Por que?
Primeiros passos (0 a 12 meses)
Altamente Recomendado
Baixo investimento e foco total em conforto
Apresentações ao vivo (Bares/Shows)
Não Recomendado
É um modelo acústico (sem captação), pois exige microfonação externa
Estudo de técnica clássica avançada
Recomendado com ressalvas
Bom para o início, mas falta projeção sonora para peças complexas
Viagens e Lazer
Altamente Recomendado
Instrumento robusto e barato, ideal para levar sem preocupações excessivas
De forma geral, ele é mais indicado para quem está dando os primeiros passos e quer um instrumento simples, funcional e sem complicações.
Comparativo Breve: Giannini N-14, Tonante Lorenzo 39 e Michael Antares VM19N
Buscamos brevemente comparar o Giannini N-14 com outros dois modelos de violão no mesmo contexto de ter um primeiro violão com uma entrega honesta e no menor custo possível. São eles o novo Tonante Lorenzo 39 e o Michael Antares VM19E.
No ano de 2026, são três violões importantes para instrumentos de entrada para iniciar o aprendizado.
Giannini N-14 vs. Tonante Lorenzo 39
Violão Tonante Lorenzo 39
A Tonante é uma marca histórica que se reinventou com a linha Lorenzo. O modelo Lorenzo 39 pode ser considerado como um competidor mais direto do N-14 atualmente.
Construção: Ambos utilizam o Linden no corpo, o que os torna muito leves. O Lorenzo 39 traz um design moderno e tem sido elogiado por vir com um ajuste de fábrica ligeiramente mais baixo nas cordas.
Timbre: O Giannini N-14 tende a ter um som um pouco mais “aberto” e brilhante, enquanto o Tonante Lorenzo 39 foca em um equilíbrio de médios, ideal para quem quer um som mais suave para acompanhar a voz.
Na prática, a escolha entre eles depende mais da preferência de timbre, mas ambos cumprem bem o papel de primeiro violão
Giannini N-14 vs. Michael Antares VM19E
Violão Michael Antares VM19E
O Michael Antares VM19E é outro competidor nesta categoria de primeiro violão.
Ergonomia: O Antares VM19E possui um braço muito similar ao do N-14, focado no conforto. Uma das maiores diferenças seja o acabamento, pois esse modelo da Micha é mais comum em cores variadas e foscas (matte), enquanto o N-14 é clássico no verniz brilhante.
Resistência: Em termos de durabilidade, o Giannini ainda leva uma pequena vantagem por ter uma construção interna um pouco mais robusta, o que ajuda o instrumento a aguentar melhor a pressão das cordas ao longo dos anos.
A maior diferença entre esses modelos se dá mesmo no acabamento e na resistência, mas assim como o Tonante, ambos continuam servindo bem ao propósito de primeiro violão.
Tabela Comparativa entre Giannini N-14, Tonante Lorenzo 39 e Michael Antares VM19E
Característica
Giannini N-14
Tonante Lorenzo 39
Michael Antares VM19E
Material Principal
Linden
Linden
Linden
Tensor no Braço
Sim (Bi-direcional)
Sim (Bi-direcional)
Sim (Bi-direcional)
Estilo de Som
Brilhante e padrão
Suave e equilibrado
Versátil e direto
Portabilidade
Alta (Leve)
Alta (Leve)
Alta (Leve)
Nossa Avaliação (Criteriosa) do Giannini N-14
A tabela a seguir mostra a avaliação dentro dos critérios importantes para quem está iniciando no instrumento. Logo após, veja em detalhes como chegamos as conclusões dessa avaliação até o momento que este conteúdo foi publicado.
Critério de Avaliação
Nossa Conclusão
Preço
Preço aceitável para a faixa de preço entre R$300,00 e R$600,00
Qualidade de Construção
Boa qualidade de construção e acabamento
Ergonomia e Tocabilidade
O instrumento é entregue com uma regulagem padrão satisfatória, mas pode precisar de regulagem básica de luthieria
Timbre
É um timbre que realça os médios, adequado para iniciantes
Contexto de Uso
Adequado para quem está iniciando a aprender a violão ou mesmo viajar
Custo Benefício
Excelente custo benefício para o contexto e faixa de preço propostos
Preço
Sobre o preço, o Giannini N-14 está dentro da faixa de preço de violões para entrada que vai de R$300,00 a aproximadamente R$600,00 reais. Seu preço médio encontra-se entre R$350 a R$450, e dentro dessa faixa, ele se posiciona como uma das opções mais acessíveis para começar sem comprometer o aprendizado.
Qualidade de Construção
Para o propósito desse instrumento, de forma geral ele tem sido entregue a quem o adquiriu com uma boa qualidade de construção, tanto a nível estrutural quanto de acabamento básico. Todo produto produzido em escala industrial, como o caso do Giannini N-14, tende a vir com uma qualidade padrão.
Á medida que esse instrumento nessa linha vai se popularizando e sendo mais fabricado e vendido, à empresa e o fabricante tem a possibilidade de implementarem melhorias no processo, resultando em um produto com qualidade melhor no final para o propósito o qual foi projetado. Nos últimos anos o modelo Giannini N-14 teve melhorias em sua qualidade final por conta de melhorias em seu processo de produção.
Ergonomia e Tocabilidade
O conforto para tocar para o violão depende muito da qualidade estrutural da construção, em especial na escala, cavalete, braço, pestana e rastilho. Cavaletes descolados, braço empenado, rastilho ou pestana muito altos e trastes e escala não muito bem acabados ou polidos podem influenciar negativamente na ergonomia e tocabilidade.
O modelo Giannini N-14 tem sido entregue a seus compradores com uma regulagem satisfatória por padrão e em alguns casos as cordas um pouco mais baixas. Em termos gerais quando o instrumento vem de fábrica ele já tem uma regulagem padrão e há algumas lojas que já fazem esse serviço de luthieria básica de regulagem, já o incluindo na própria venda. Entretanto há outras que após o comprador receber, pode ser que tenha que levar para um luthier regular o instrumento. Esse tipo de ajuste é comum em violões dessa faixa de preço e costuma ser simples, com custo médio baixo, sendo um procedimento rápido feito por um luthier.
Timbre
Por conta das madeiras e da construção, o timbre do Giannini N-14 é considerado médio com equilíbrio entre as notas mais baixas (graves) e altas (agudas). Para quem está iniciando, o que importa mais é que o timbre seja minimamente identificável para que seja possível associa-lo a mecânica e movimento das primeiras notas, acordes e músicas, o que é mais do que suficiente para evoluir com segurança.
Contexto de Uso
Para quem está iniciando no aprendizado do violão, o Giannini N-14 é um instrumento com, principalmente, a qualidade de construção e ergonomia necessários para que quem for pratica-lo consiga desenvolver bem a técnica e mecânica necessárias das primeiras notas, acordes e músicas necessárias.
Por ser um instrumento composto de madeiras laminadas do tipo Linden, ele tende a ter mais resistência variações de temperatura e umidade, o que o torna interessante também para ser utilizado como um instrumento para viagens, por exemplo.
Custo Benefício
Dentre os modelos de violões para iniciante que estão na faixa de R$300,00 a R$600,00 reais, o Giannini N-14 tem um excelente senão o melhor custo benefício até o momento, entregando um instrumento honesto. Isso faz com que ele seja uma das opções mais seguras dentro dessa faixa de preço para quem está começando.
Pontos Fortes
Após nossa avaliação identificamos pontos fortes que mais importantes do Giannini N-14:
Muito confortável para iniciantes
Leve e fácil de transportar
Preço acessível
Boa base para aprendizado
Com essas características, esse violão não atrapalhar o aprendizado inicial, o que é o mais importante de tudo.
Pontos Fracos
Assim como identificamos os pontos fortes, também identificamos alguns pontos fracos:
Pode precisar de uma primeira regulagem inicial
Som limitado
Acabamento simples
Não acompanha a evolução com o decorrer do tempo
Pela faixa de preço, esses pontos são normais e esperados.
Nosso Veredito Final
Após nossa análise, o Giannini N-14 é um dos melhores violões de entrada disponíveis hoje no Brasil, e por isso recomendamos sua compra. É um instrumento que entrega exatamente o que promete: simplicidade, conforto e acessibilidade. Esses atributos são essenciais e suficientes para quem está começando a tocar principalmente. Isso vai permitir que você consiga realizar a mecânica das primeiras notas, acordes e músicas com total conforto e confiança nesse primeiro momento. Se a ideia é começar sem complicação e com um bom custo-benefício, esse modelo cumpre bem esse papel.
Onde encontrar
Não há dificuldade para encontrar esse instrumento novo à venda ou mesmo usado. Ao fazer uma pesquisa nele pela internet, ele pode ser encontrado em:
Grandes marketplaces de ecommerce como Amazon, Mercado Livre, Shopee, dentre outras
Lojas de instrumento físicas ou onlines
Opções novas e usadas em sites especializados
Você pode verificar preços atualizados e disponibilidade nas principais lojas online antes de escolher a melhor oferta.
Fontes da Avaliação
Conforme nossa metodologia, nossa avaliação sobre esse instrumento Giannini N-14 foi construída em cima de especificações técnicas, avaliações de usuários, vídeos e testes públicos além da experiência prática com instrumentos similares. Veja abaixo os vídeos e testes públicos que utilizamos como base:
Avaliação do Giannini N-14 pelo canal Vini
Avaliação do Giannini N-14 pelo canal Tocar Music
Avaliação do Giannini N-14 pelo canal do Luthier Douglas Pereira
Perguntas Frequentes (FAQ)
Veja a seguir o tipo de perguntas mais realizados:
O Giannini N-14 é bom para iniciantes?
Sim. Ele é confortável, tem cordas de nylon e preço acessível, sendo uma das melhores opções para quem está começando.
O Giannini N-14 precisa de regulagem?
Em alguns casos, sim. Como a maioria dos violões de entrada, pode precisar de um ajuste simples para melhorar a tocabilidade.
Vale a pena comprar o Giannini N-14?
Sim, principalmente se você quer um primeiro violão barato e funcional para aprender sem complicação.
Cordas altas no violão geralmente têm solução e, na maioria dos casos, o ajuste é simples. Esse problema pode dificultar o toque, mas pode ser resolvido com regulagem adequada ou ajuda de um luthier.
A ação das cordas é um conceito que define a distância entre o ponto mais alto da escala (topo do traste), no meio do violão até as cordas. Se a ação estiver alta, isso pode causar problemas não apenas estéticos no instrumento, mas prejudicar a tocabilidade e até mesmo entonação das notas no instrumento. Felizmente no geral não é um dos problemas mais graves, mas precisa ser resolvido.
Introdução: O que são cordas altas no violão
No violão, um conceito extremamente importante e fundamental para entender é a ação das cordas, cujo significado é a distância entre as cordas e o ponto mais alto da escala (topo do traste), do instrumento. Quando se diz ou percebe que o instrumento está com as cordas altas (ação alta), isso significa que há um distanciamento excessivo entre a corda e o plano da escala (ou os trastes).
A ação alta das cordas no violão tem implicações que vão além apenas da estética. Isso acaba afetando a física do instrumento, a entonação das notas (o que pode ser muito grave principalmente para quem está iniciando no instrumento) e a ergonomia de quem está praticando (podendo atrapalhar a execução das notas em casas mais adiantes no braço do instrumento além de dores nas mãos sem necessidade).
Como saber se as cordas estão altas
Existem algumas formas de descobrir se as cordas do violão estão ou não com ação alta. A maior parte dessas formas são bem simples e acessíveis a todos que praticam esse instrumento.
Verificar Visualmente à Altura das Cordas
Homem inspecionando visualmente a das cordas do violão
Pegue o seu violão e verifique a distância da corda em relação ao ponto mais alto da escala (topo do traste) a partir da primeira casa até o meio do braço do instrumento. Preste atenção principalmente na 5º, 7º e 12º casa. Quando as cordas começam a ficar com a ação alta, a tendência do braço é empenar de forma concava, pois a distância das cordas em relação ao braço tende a ficar cada vez maior à medida que as casas vão avançando, sendo que a maior distância será sempre a da casa do meio do violão (geralmente a 12° casa).
Percepção da Altura das Cordas ao Tocar o Violão
Ao pegar seu violão para tocar ou praticar, você pode utilizar métodos mais simples ou mais complexos, que variam conforme seu estágio no aprendizado desse instrumento e independem se o violão tem cordas de nylon, aço ou tem o braço curto ou mais longo.
Pestana da Casa 1 até as casas do Meio do Violão
Verificando a altura das cordas do violão fazendo a pestana da casa 1 até a casa 10
Indicado caso você tenha o conhecimento básico de como fazer pestanas. Comece fazendo uma pestana na mão esquerda da 1° casa do violão até a 10° ou última casa possível até que chegue o mais próximo possível do meio desse instrumento.
À medida que vai fazendo isso, perceba a quantidade de esforço que a mão esquerda está realizando. Se esse esforço aumentar consideravelmente quanto mais próximo as pestanas das casas do meio, isso pode ser um indicativo de ação alta das cordas.
Tocar Uma Nota da Casa 1 até as casas do Meio do Violão
Verificando a altura das cordas do violão apertando casa a casa da 1 até a 12
Esse método é mais simples que o primeiro, e é indicado caso você ainda não saiba realizar pestanas e tenha um conhecimento muito elementar. Este consiste em apertar a nota da 1° casa da nota mais aguda com a mão esquerda do violão até as casas mais ao meio possíveis, geralmente a 12°. Perceba o esforço para realizar isso no decorrer do braço do violão, se aumentar consideravelmente, pode ser um sinal também
Tocar Músicas que Utilizem Notas e Acordes com Pestana da Casa 5 em Diante
Esse método é o mais complexo de todos e todo o praticante de violão que se dedique ao instrumento de forma séria e dedicada vai treinar músicas, independente do estilo do repertório, nos quais serão utilizados acordes e notas mais altos, os quais no violão estão presentes principalmente da 5º casa em diante. Para executar essas notas e acordes no centro do braço para o meio do violão, precisará de pestanas.
Por exemplo, se estiver estudando violão clássico no nível intermediário e avançado, peças como Lágrima de Francisco Tárrega ou Asturias de Isaac Albéniz utilizam pestanas da 5° casa em diante.
Medir a Altura das Cordas no Meio do Violão
Medindo a altura das cordas do violão com régua específica
É um método bastante simples que pode ser feito tanto com uma régua simples que consiga dar a precisão em milímetros ou até mesmo uma mais específica. Para isso você coloca a régua na casa mais ao meio do violão, se for o de nylon será a 12°, e mede a distância até a corda. Se a distância estiver acima de no máximo 4 milímetros, é sinal que a ação está alta.
Dica de Especialista
É importante ressaltar que existe uma distância padrão correta e aceitável mínima entre as cordas e o ponto mais alto da escala (traste) para violões de aço e nylon, assim como estilo de música a ser tocada. Essa distância mínima é medida geralmente no meio do violão, aproximadamente na 12° casa conforme o tipo do violão. Com isso, sempre a ação das cordas no meio do violão sempre será um pouco mais alta que nas primeiras casas do braço, mas para saber se é demais ou não, utilize um ou mais dos métodos acima citados para verificar.
Principais causas das cordas altas
Mais de um fator pode ser responsável por causar as cordas altas violão, mas logo de início, é importante saber que nem sempre a ação alta pode ser sinal de problemas mais sérios no instrumento. Veja a seguir os principais fatores responsáveis que podem causar isso.
Pestana Alta
Violão com pestana alta
A pestana alta pode causar um aumento na ação das cordas o qual será visível muito evidente e mensurável nas primeiras casas do violão e ainda mais no meio do instrumento. A percepção de pestana alta é a imediata dificuldade de apertar e fazer as notas e acordes nas primeiras três casas do instrumento, tendo a sensação de que ele está “duro” para tocar. Não é um problema grave, e a solução para isso envolve lixar adequadamente e cuidadosamente a pestana até que ela atinja uma altura de ação correta das cordas.
Rastilho Alto
Violão com rastilho alto
Quanto mais alto for o rastilho maior será a dificuldade de fazer as notas e acordes de pestana da 3° e principalmente 5° casa em diante. Assim como a pestana, não é algo grave e que pode ser resolvido com o rastilho sendo devidamente e cuidadosamente lixado para que alcance a ação das cordas minimamente ideal.
Braço Empenado
Violão com braço empenado
Se o problema da ação alta das cordas for por conta de empenamento no braço então provavelmente pode ser um problema um pouco mais sério. O braço empenado pode ocorrer tanto de forma concava ou convexa, sendo causado por fatores como construção ruim, madeira ruim ou mesmo a falta de um tensor, o que era comum em violões mais antigos. Para corrigir isso, pode ser necessário apertar o tensor com cuidado ou levar a um luthier.
Regulagem de Fábrica
Violão sendo construido
Muitos violões, por padrão, já são vendidos de fábrica com algum grau de regulagem, mas geralmente quando se trata da altura das cordas, a ação tende a ser ligeiramente mais alta. Isso acontece porque muitas pessoas ao adquirir esse instrumento novo, vão levá-lo a um luthier de confiança ou mesmo a própria loja já faz esse serviço.
Clima ou Umidade
Violão sofrendo os danos do clima e umidade
O violão é um instrumento orgânico (vivo) por conta de ter madeiras em quase sua totalidade. Por conta disso, ele pode ser muito suscetível a alterações no clima e a umidade, sendo ele construído com madeiras laminadas ou principalmente de madeiras sólidas. Ao guardar esse instrumento, procure mantê-lo em local com umidade e temperaturas controladas principalmente.
Cordas altas no violão tem solução?
Sim, felizmente na maior parte dos casos e com ajustes simples de regulagem feitos geralmente por luthier e uma forma adequada de conservar o instrumento. Caso seu violão apresente sinais de problemas sérios como empenamentos no braço e este não tem um tensor, nesse caso aumentam em muito as chances de não ter solução ou se tiver, a complexidade será muito maior.
Dá para resolver sozinho?
Sim, é possível resolver o a altura das cordas do braço sozinho, mas pode ser necessário um nível de conhecimento, experiência e precisão um pouco maior. A correção mais simples de regulagem de alturas das cordas no geral que é possível ser feita é o ajuste no tensor, mas mesmo essa exige uma certa precisão e cuidado.
Quando levar ao luthier
Se seu violão apresenta sinais de problemas sérios na altura da ação das cordas ou você não tem conhecimentos básicos, experiência e precisão para os ajustes básicos desse tipo de regulagem, como o lixamento de rastilho e pestana, ajuste no tensor e desempenamento de braço, leve a um luthier de confiança realizar esses serviços. Caso contrário você pode acabar danificando o instrumento.
Como evitar cordas altas no violão
Homem guardando o violão
Não é possível evitar totalmente a ação das cordas do violão aumentarem, porque isso é um processo físico no qual por conta da tensão das cordas, a tendência ao empenamento sempre vai existir. Entretanto, é possível evitar ou retardar isso com as seguintes ações:
Escolher um instrumento com uma qualidade mínima de qualidade em sua construção
Realizar a manutenção periódica (seis em seis meses, ano em ano, dois em dois anos ou quando necessário) levando o violão a um luthier
Armazená-lo e transporta-lo cuidadosamente levando em conta prevenção a quedas, troca extrema de temperatura e umidade do ar
Consequências das cordas altas
Todas as pessoas que praticam o violão, independente se por hobby, iniciantes, intermediários, avançados e profissionais vão sentir muito as consequências negativas principalmente no que diz respeito a ergonomia e tocabilidade.
Iniciantes ou praticantes por hobby vão sentir muito a dificuldade em realizar as primeiras notas e acordes que iniciam principalmente na 5° casa do violão em diante, o que pode prejudicar em muito os movimentos, podendo causar dores a mais nas mãos e nos dedos. Isso pode influenciar e causar a desistência precoce no aprendizado do instrumento.
Violonistas profissionais, principalmente ao tocar peças que exigem alta performance em velocidade, coordenação e movimentos em casas mais próximas ao meio do violão vão ser prejudicados em muito por conta da ação alta das cordas, mesmo já tendo um preparo físico e preciso maior.
Minha experiência pessoal
Em minha experiência aprendendo o violão de forma séria e consistente há pouco mais de dois anos, percebo que ainda que eu não tenha grande experiência com músicas nas casas mais ao centro do instrumento, percebo grande dificuldade de coordenação motora ao tentar realizar notas e acordes nas regiões centrais de um instrumento cujos as cordas estão com a ação alta por conta de seu braço estar empenado.
Se meu aprendizado dependesse única e exclusivamente desse violão mais antigo, as chances de eu ter desistido precocemente seriam muito maiores.
Conclusão
Como foi aqui apresentado, em termos gerais, o problema de ação alta das cordas não costuma ser um problema sério nos violões, principalmente em violões construídos com uma qualidade mínima e que tenham tensor no braço.
Esse problema precisa ser resolvido até para não atrapalhar o estudo e a prática no violão, e apesar de não ser dos mais graves no geral, as soluções requerem um mínimo de conhecimento, experiência e precisão.
Uma vez que você entendeu o que é a ação das cordas e como ela pode impactar sua experiência no violão, conheça aqui nosso guia explicativo sobre cada parte do violão e a função de cada uma delas. Veja aqui também o que fazer caso seu violão esteja trastejando.
A história do violão é uma jornada fascinante que revela a evolução de um simples arco musical pré-histórico até o sofisticado instrumento de seis cordas que conhecemos hoje. Ao compreender sua trajetória como um cordofone universal que atravessou civilizações egípcias, persas e europeias, percebemos como ele se consolidou como a base da identidade musical brasileira, unindo técnica clássica e alma popular em um legado que se renova em 2026.
Introdução
A história do violão, assim como quase tudo na humanidade, é um processo em constante adaptação e mudança. Muitas vezes ao olharmos ou segurarmos esse instrumento geralmente com seis cordas, tendemos a vê-lo como um objeto estático, uma invenção com data e hora marcadas. A realidade, no entanto, é muito mais interessante: o violão é um organismo vivo que para se tornar um dos mais populares do mundo, atravessou oceanos e culturas por milênios.
Entender a trajetória desse instrumento durante a história é muito mais do que apenas saber suas partes, tipos, conservação, marcas, nomes de luthier ou mesmo pratica-lo e afins. É compreender que sua origem muito provavelmente se deu através de quando o ser humano domou a física do som. O violão foi se comportando como um camaleão durante a história. Primeiramente ele assumiu, muito provavelmente, a forma de um arco e flecha de um caçador, quando este percebeu que a tensão da corda de seu arco emitia uma nota musical. A partir de então, ele foi evoluindo até chegar a sua estrutura mais moderna, definida por Antonio de Torres no século XIX. Essa é a versão mais popular em regiões do mundo aonde houve grande influência Europeia.
Nesse guia, será abordado a história do violão sobre uma narrativa que inicia na pré-história, passa por como diversos povos no mundo o desenvolveram, a forma que a Europa o desenvolveu, até chegarmos na América Latina e no Brasil. Se você é um estudante dedicado, um músico profissional ou apenas alguém interessado por curiosidades históricas, nesse guia você vai aprender também a ver esse instrumento sobre a ótica de um cordofone universal. Antes de chegar a ser um objeto de luxo nas cortes, foi uma ferramenta muito utilizada para a expressão dos povos em todos os locais do mundo.
Violão como um Instrumento Cordofone
Para que seja possível entender como o instrumento ao qual nos dias de hoje carinhosamente chamamos de violão, é importante analisa-lo sobre um ponto aspecto mais amplo. Esse instrumento faz parte de uma família vasta e antiga: a dos cordofones. Entender isso vai proporcionar a você uma visão universal, além de apenas uma nomenclatura técnica, que vai permitir perceber que a ideia de esticar uma corda sobre uma estrutura de ressonância é uma das maiores heranças da inteligência humana.
O que define o Violão como um Cordofone?
Exemplos de instrumentos cordofones
Na classificação técnica de Hornbostel-Sachs (o sistema padrão de taxonomia musical), um cordofone é qualquer instrumento onde o som é produzido primariamente pela vibração de cordas tensionadas. O violão, no caso, é classificado como um cordofone composto, pois sua estrutura é formada por duas partes que, embora distintas, são indissociáveis para o funcionamento do som.
A universidade do violão reside na combinação de três pilares:
O Atuador (Ação Humana): A transferência da energia cinética para o sistema causada pelo dedo ou a palheta.
O Mastro ou Braço (Estrutura de Controle): A peça que permite ao músico alterar o comprimento da corda. Ao pressionar a corda contra o braço, mudamos a frequência da vibração, permitindo a criação de melodias e harmonias.
O Ressonador ou Caixa (Amplificação Passiva): Um violão utiliza um corpo oco para amplificar as ondas sonoras da corda, transformando a vibração física em volume acústico. Esse pode ser considerado talvez o elemento mais crucial, porque uma corda vibrando sozinha no ar produz um som quase inaudível, o que é diferente quando vibra sobre um corpo oco.
A Engenharia da Vibração: Como ele funciona?
Vibração das cordas do violão
O violão é um instrumento que depende da tensão, o que é diferente em outros tipos de instrumentos como um tambor (membro da família dos membranofones) ou de uma flauta (aerofone). Para que ele seja considerado funcional, as cordas precisam estar sob uma carga mecânica considerável.
A Ponte e o Cavalete: Estes componentes funcionam como transmissores. Eles pegam a vibração da corda e a aplicam no tampo de madeira.
O Ar Interno: O corpo do violão não é apenas um espaço vazio, ele contém uma massa de ar que vibra em simpatia com as cordas. É essa interação que dá ao violão sua característica de instrumento polifônico e versátil.
O Violão como Conceito, antes do Objeto
Entender o violão como um cordofone universal é aceitar que ele é o aprimoramento de uma ideia ancestral: a busca por um instrumento que fosse, ao mesmo tempo, portátil e capaz de produzir acordes complexos.
Tratar um violão apenas como um objeto isolado na história é ignorar que ele é a evolução de um conceito mecânico. Esse instrumento com essa engenharia sonora é a versão mais bem-sucedida e popular da necessidade do ser humano de expressar sentimentos através da tensão dos fios.
Observação Técnica
Um detalhe técnico essencial reforça a posição do violão como um instrumento cordofone sofisticado: o equilíbrio entre a tensão das cordas e a espessura do tampo. Se o tampo do instrumento for muito fino, a tensão das cordas vai destruir o tampo, se for muito grosso, o som fica abafado. A versão mais moderna deste atingiu o ápice dessa relação física, tornando-se o padrão mundial de eficiência entre os da categoria de cordas dedilhadas.
Violão na Pré-História
Ao contrário do que possamos imaginar, a “pré-história do violão” não começa em uma oficina de luthieria, mas sim nas mãos de caçadores e observadores da natureza. Para entender como o instrumento evoluiu até sua forma atual, é essencial entender para o conceito primordial de corda tensionada.
Naquela época, não existia a distinção entre ferramenta e instrumento musical. A música era uma extensão da sobrevivência e do ritual.
O Arco de Caça: O mais Ancestral de todo Cordofone
Homem primitivo descobrindo que a corda de seu arco e flecha produz um som
Uma das teorias mais aceitas pela arqueomusicologia é que o arco de caça é a ferramenta mais ancestral de todo cordofone. O homem primitivo percebeu que ao disparar uma flecha, a corda ao retornar à sua posição de repouso, emitia um estalo vibrante, um som curto e percussivo.
A Descoberta da Tensão: O caçador percebeu que, quanto mais esticada a corda de fibra vegetal ou tendão animal, mais agudo era o som.
O Ressonador Natural: Quando esse homem percebeu que, ao encostar o arco em uma cavidade oca (como uma caveira de animal, uma cabaça seca ou até mesmo usando a própria boca como caixa de ressonância), o som se tornava muito mais alto e profundo. Isso proporcionou um grande salto evolutivo.
A Transição do Arco para o Monocórdio
Arco e flecha primitivoInstrumento cordofone monocordio
Com o passar dos milênios, surgiu a partir do arco de caça o arco musical, no qual desde ai, a engenharia rudimentar começou a evoluir em favor da sonoridade.
Adição de Cordas: Começaram a amarrar várias fibras de diferentes tamanhos em um mesmo suporte, criando as primeiras harpas de arco, ao invés de usar apenas uma única corda.
Fixação do Braço: Alguns povos começaram a retificar a estrutura curva dos arcos, dando origem a um mastro rígido que permitia parar a corda com os dedos. A partir daí temos o nascimento do conceito de nota musical variável.
Comparativo: A Evolução dos Materiais Pré-Históricos
Veja na tabela a seguir como era mais difícil e como os elementos do “violão” eram improvisados com o que a natureza oferecia.
Componente
Material Original
Função no Som
Cordas
Tendões de animais, crinas de cavalo ou fibras de trepadeiras.
Gerar a vibração inicial.
Caixa de Ressonância
Cabaças secas, carapaças de tartaruga ou troncos escavados.
Amplificar o volume (o “corpo” do violão).
Ponte / Capo
Pedaços de ossos ou madeira dura.
Transmitir a vibração da corda para o corpo.
Por que isso é relevante para o Músico nos dias de hoje?
Entender como seria o “violão” na pré-história nos faz enxergar a natureza do instrumento e a forma como ele é fruto de uma conexão humana com a física. Ao tocar uma corda hoje, você está repetindo um gesto que tem pelo menos 15.000 anos. Isso pode ser visto, por exemplo, nas figuras de cavernas como a de Trois-Frères, na França, no qual existem pinturas rupestres que dão a entender pessoas manipulando arcos musicais através do dedilhado, o qual pode ser considerado um dos impulsos artísticos mais antigos da nossa espécie.
Curiosidade
Esses primeiros experimentos podem ser chamados na Musicologia como Instrumentos de Identidade Simbólica. O som vai além do entretenimento, pois era uma forma de se comunicar entidades divinas ou imitar os sons da natureza. Isso estabelece o “violão” (em seu estado embrionário) como uma ferramenta de conexão social antes mesmo da invenção da escrita.
Violão nas Principais Civilizações e Povos do mundo
Pintura rupestre de pessoas louvando um kopuz turquico
No decorrer dos milênios existiu um processo de evolução e refino do conceito primitivo de arco musical até que esse se transformasse em tecnologia de alta engenharia para as primeiras grandes civilizações que surgiram na época. Nesse momento esses instrumentos deixaram de ser apenas um recurso ritualístico para se tornar o centro da vida social, da poesia e da matemática.
Em cada canto do globo terrestre, o “violão” daquela época (ou melhor, seus ancestrais cordofones) cresceu de forma distinta, o que é fascinante.
O Mapa dos Cordofones na Antiguidade
Para facilitar o entendimento e compreensão de como essa tecnologia estava espelhada pelo mundo, veja abaixo como foi representado esse conceito em cada parte do mundo:
Região / Povo / Civilização
Nome do Instrumento
Material da Caixa
Inovação para a História
Egito
Nefer
Madeira e Couro
Uso de trastes de tripa para definir notas.
Pérsia
Setar
Madeira (Amoreira)
Origem do nome (Setar = Chitarra = Guitarra).
Grécia / Roma
Kithara / Cithara
Madeira Sólida
A base intelectual e matemática da escala musical.
Semitas (Oriente Médio)
Kinnor / Tanbur
Madeira e Pele
O papel do instrumento no louvor e na poesia lírica.
Índia
Vina
Cabaça Gourd
Desenvolvimento de tensões de cordas para microtons.
China
Pipa
Madeira Maciça
Técnica de dedos extrema e virtuosismo.
África (Oeste/Subsaariana)
Ngoni / Kora
Cabaça e Couro
A rítmica complexa e o uso de cordas percussivas.
Américas (Nativos)
Arco Musical / Tinieré
Cabaça ou Solo
O uso da terra ou do corpo como ressonador natural.
Povos Turquicos
Kopuz
Madeira Escavada
Ancestral das guitarras de palheta e alaúdes curtos.
Cordofones pelas Civilizações
Egito: A Elegância do Nefer
Instrumento cordofone Nefer Egipcio
O violão no Egito Antigo foi muito bem sofisticado. O Nefer era um instrumento com braço longo e uma caixa de ressonância ovalada. O hieróglifo para “Nefer” também significava “bonito” ou “bom”, o que mostra o valor social do som das cordas. Eles foram um dos primeiros a usar trastes (feitas de tripa amarrada) para definir notas específicas.
Pérsia e a Raiz do Nome: O Setar
Instrumento cordofone Setar da Persia
A contribuição da Persia para esse instrumento foi crucial. A palavra Setar deriva de Se (três) e Tar (corda). É aqui que o formato do corpo começa a lembrar levemente as curvas do violão moderno para facilitar o apoio no colo. O violão espanhol séculos depois foi muito influenciado pela técnica de dedos da persa.
Grécia e Roma: A Base Intelectual
Instrumento cordofone Kithara GregaInstrumento cordofone Cithara Romana
A Kithara grega era o instrumento dos filósofos e dos heróis. Esse nome teve grande influência vinda do Oriente Médio principalmente dos Persas. Após a Grécia ter sido conquistada por Roma, a Kithara foi exportada para todo o império como Cithara, incluindo a Península Ibérica. Se não tivesse existido a expansão Romana, muito provavelmente o nome Guitarra e consequentemente Violão não teriam chego ao Ocidente.
Na Europa e Ocidente, o desenvolvimento do “violão” focava na estrutura, enquanto que no oriente era mais focado na expressão. O Pipa chinês e a Vina indiana mostram que instrumentos de cordas com braços longos já eram instrumentos de músicos virtuosos há mais de 2.000 anos, com técnicas de vibrato e notas rápidas que desafiariam muitos violonistas modernos.
Povos Turquicos e a Estepe Asiática
Instrumento cordofone Kopuz Turquico
Os povos Turquicos presentes nas estepes asiáticas e posteriormente nas euroasiáticas por muito tempo foram nômades, e dai surgiu a necessidade de um instrumento portátil, como o Kopuz. Ele era leve e resistente, composto de uma peça única de madeira escavada, servindo de base posteriormente para o que viria a ser o alaúde. Além disso, também influencio as guitarras medievais na Europa através das rotas de comércio.
Povos Semitas (O Berço da Poesia Cantada)
Instrumento cordofone Kinnor Semita
Nas civilizações da Mesopotâmia e entre os povos hebreus, o Kinnor (muitas vezes chamado de Lira de Davi) e o Tanbur foram fundamentais. Os semitas aperfeiçoaram a ideia de que o instrumento de cordas era o companheiro ideal para a voz humana. O Tanbur, especificamente, com seu braço longo, é um dos elos perdidos que influenciariam tanto o Oriente quanto o Ocidente na criação de instrumentos de trastes.
África: O Ritmo antes da Melodia
Instrumento cordofone Ngoni Africano
Instrumentos como o Ngoni (Mali/Senegal) utilizavam o conceito de braço inserido em uma caixa de ressonância de pele. Uma das grandes contribuições da Africa para a “história do violão” é a independência rítmica: a ideia de usar os dedos para criar uma linha de baixo e uma melodia simultaneamente, algo que séculos depois definiria o violão no Blues, no Jazz e no Samba.
Américas: O Som da Terra
Instrumento cordofone Arco Musical com Cabaça
Nas principais civilizações da América, como os Astecas, Maias e Incas, os instrumentos de sopro e percussão foram predominantes. O instrumento com o Conceito de Cordofone era o Arco Musical com cabaças como caixa de ressonância e funcionava de forma mais ritualística. Alguns povos nativos brasileiros, como os que habitavam o Mato Grosso e o Xingu, já possuíam variantes de arcos sonoros mais sofisticadas.
Por que isso importa hoje?
Entender a forma que violão começou a evoluir nos principais povos e civilizações do mundo nos da a compreensão que esse instrumento não é fruto exclusivo da Europa, mas sim o resultado de uma troca global de ideias.
Ao apertar uma corda, estamos realizando uma atividade testada em pirâmides egípcias, templos indianos e palácios romanos. Conhecer e estudar o violão não se resume apenas a prática de um instrumento de 200 anos, mas sim de uma tecnologia que vem emocionando a humanidade há no mínimo 5.000 anos e que sobreviveu ao crescimento e queda de impérios pelo mundo.
Violão na Europa Medieval
Entender como o “violão” se desenvolveu no caldeirão cultural da Europa Medieval é essencial para começarmos a entender o que virá a ser a essência do violão Brasileiro séculos depois. É neste período que o conceito universal de “cordas e braço” que vimos anteriormente começa a ganhar os contornos, a afinação e a mística que as caravelas portuguesas trariam para as Américas séculos depois.
Na Idade Média houve uma grande mistura principalmente no encontro entre Ocidente cristão e Oriente árabe, principalmente na península Ibérica (Espanha e Portugal), o qual foram criadas as condições para o nascimento dos antepassados diretos do violão Brasileiro atual.
O Choque Cultural: Alaúde vs. Guitarra
Instrumento Cordofone Alaúde (oud) Árabe sem TrastesInstrumento Cordofone Guitarra Latina Medieval
O Alaúde tornou-se o cordofone mais famoso da Europa medieval, tendo sido levado para este continente através de uma combinação de fatores que vão desde a ocupação da Espanha pelos mouros (árabes), a Ocupação da Sicília e Mediterrâneo também pelos Árabes e por fim as interações com as Cruzadas. Gradualmente, foi ganhando popularidade aos poucos, principalmente na Península Ibérica a Guitarra Latina, um instrumento mais simples.
O que os medievais chamavam de “guitarra” já possuía o fundo chato e as curvas laterais, diferenciando-se do fundo abaulado (em formato de pera) do alaúde. Veja na tabela a seguir três cordofones de cordas dedilhadas importantes na Europa Medieval e suas principais características.
Característica
Alaúde (Oud)
Guitarra Latina
Guitarra Mourisca
Origem
Árabe / Oriental
Greco-Romana / Europeia
Árabe Adaptada
Fundo
Abaulado (Redondo)
Chato (Plano)
Abaulado
Trastes
Raramente possuía
Tripa amarrada no braço
Geralmente sem trastes
Público
Nobreza e Cortes
Povo e Trovadores
Músicos itinerantes
Legado
Música Erudita
Base para o Violão Moderno
Evoluiu para o Bandolim
Os Trovadores: O Violão como Instrumento Portátil
Trovadores tocando em vilas europeias mediavais com uma guitarra mourisca
Os trovadores medievais foram responsáveis por popularizar o violão como instrumento favorito para acompanhar a voz. Eles iam viajando de feira em feira, castelo em castelo, usando a guitarra latina para acompanhar suas poesias e cantigas.
Portabilidade: A guitarra medieval era um instrumento leve e resiste principalmente às viagens a cavalo, diferente de instrumentos grandes como órgãos de igreja ou das harpas complexas.
A Afinação por “Ordens”: As cordas do “violão” na Idade Média não eram únicas como são hoje. Elas eram agrupadas em pares, chamados de ordens. Isso criava um som rico, natural e com um coro natural (chorus), essencial para preencher o ambiente sem amplificação.
A Diferenciação Ibérica: O Caminho para Portugal e Brasil
O ponto mais relevante para nós da Europa Medieval, Brasileiros, é o surgimento da Vihuela e das primeiras Violas.
Por muito tempo durante a era Medieval na península Ibérica, o Alaúde e a Guitarra Latina conviveram juntos. Há linhas de raciocínio que defendem que para uma parte dos Espanhois, a preferência seria maior para a Guitarra Latina e instrumentos que surgiram a partir dele ou da mistura do mesmo com o Alaúde. Isso teria acontecido por conta de o Alaúde ser um instrumento mais associado aos invasores Árabes, logo a Guitarra Latina seria também um símbolo de Resistência. A partir disso, foi dado prioridade para desenvolver instrumentos de fundo chato e formato de “oito”.
Curiosidade
Hoje o formato e estrutura do Violão moderno no Brasil mantém grande herança Greco Romana. Isso se deve por conta do fato de a Espanha e principalmente Portugal não terem sido dominados pelos mouros por tempo o bastante para que mais elementos da cultura Arabe pudessem ser absorvidos. Caso isso ocorre-se, o violão Brasileiro muito provavelmente teria um formato de uma pera cortada na metade e uma técnica de execução completamente diferente.
O Surgimento dos Trastes de Tripa
Instrumento Cordofone Guitarra Mourisca
A popularização dos trastes amarrados no braço do instrumento foi considerado, ainda que silencioso, um grande avanço técnico na Idade Média. Esses pedaços eram de tripa de carneiro que o próprio músico amarrava ao redor do braço de madeira.
Isso permitiu que o instrumento fosse “temperado”, ou seja, que as notas fossem tocadas com precisão matemática.
Foi o início da democratização do ensino musical, pois agora, qualquer pessoa poderia encontrar a nota certa apenas posicionando o dedo atrás da marcação.
Conclusão do Período: O Cenário para a Grande Expansão
Instrumento Cordofone Viola Portuguesa
O futuro moderno do instrumento de cordas dedilhadas iria ser definido pelo fundo chato e pelo braço com trastes no braço.
Ao final da Idade Média, a Europa já havia decidido que o futuro do instrumento de cordas dedilhadas passaria pelo fundo chato e pelo braço com trastes. Logo a seguir, no Renascimento, a complexidade das cordas aumentou e o Alaúde o ganharia o status de “nobre” por muito tempo, enquanto que viria para o Brasil trazido pelos Portugueses a Viola, um instrumento mais simples.
Este é o elo perdido que explica por que o violão se tornou o instrumento rei do Brasil: ele já nasceu na Europa como um instrumento de viagem, de povo e de resistência cultural.
Violão na Europa Renascentista
Enquanto que na Idade Média os instrumentos cordofones foram começando a tomar formas, no Renascimento foi o período em que mais eles ganharam destaque e um nível de sofisticação técnica sem precedentes, a ponto de serem comuns em praticamente todas as cortes Europeias. Durante este período, entre os séculos XV e XVII é o ocorre o auge do Alaúde, o qual teve presença em praticamente todas as casas reais, assim como também a o auge da Vihuela (ancestral mais direto do violão moderno atual), mais comum principalmente nas casas reais da Península Ibérica.
O Reinado do Alaúde: O Ápice da Sofisticação
Instrumento cordofone Alaude Barroco com trastes
Durante o Renascimento, o Alaúde chegou a ser mais popular e entre a nobreza e o povo europeu como um todo (exceto em alguma medida a Península Ibérica) do que outros instrumentos como o Cravo, um dos principais ancestrais do Piano da época.
O Auge Técnico: No século XVI e XVII, o Alaúde atingiu sua forma mais complexa, chegando a ter 11 ou até 13 pares de cordas. Sua caixa de ressonância abulada (em gomos de madeira) era uma obra de arte da engenharia acústica.
A Literatura Musical: A maior parte das obras intelectuais da música foram escritas para o Alaúde. Foram criadas muitas peças polifônicas (várias vozes ao mesmo tempo) por grandes compositores (como John Dowland, Francesco Canova de Milano, dentre outros) o qual desafiavam a percepção do que um instrumento de cordas dedilhadas era capaz de fazer.
O Declínio Lento: O Alaúde permaneceu relevante até meados do século XVIII (Era Barroca), mas sua fragilidade estrutural e a dificuldade de afinação começaram a abrir espaço para instrumentos de fundo chato.
Compositor John Dowland
A Vihuela de Mano: A Resistência Ibérica
Instrumento Cordofone Vihuela de Mão
Um dos instrumentos mais famosos na Espanha e Portugal (Península Ibérica) além do Alaude era a Vihuela, o que é um ponto chave para entendermos a genealogia do violão.
A Vihuela parecia muito com o violão moderno por conta do fundo e chato, o formato do corpo em oito e um braço longo. A principal diferença era que ela possuía 6 ordens de cordas duplas (afuniladas de forma muito parecida com a afinação que usamos hoje).
Curiosidade
A Vihuela tem mais importância para o violão moderno do que o Alaude por conta de ter sido nela aonde foi estabelecido a técnica de dedilhado direto e a estrutura de construção que permitia maior volume sonoro e estabilidade. Os espanhóis consideravam esse instrumento superior pela sua clareza e por ser menos temperamental que o Alaúde.
Tabela Comparativa: Alaúde vs. Vihuela (Século XVI)
Característica
Alaúde Renascentista
Vihuela de Mano
Formato do Corpo
Em gota/pera (abaulado)
Violão clássico (fundo chato)
Número de Cordas
De 6 a 13 ordens duplas
Geralmente 6 ordens duplas
Técnica de Execução
Polifonia densa e suave
Acordes e contraponto rítmico
Principais Centros
Itália, França, Inglaterra
Espanha e Portugal
Manutenção
Extremamente delicado
Mais robusto e estável
A “Guitarra de Quatro Ordens”: O Violão do Povo
Instrumento cordofone Guitarra Renascentista de Quatro Ordens
Surgia pelas ruas um instrumento mais simples, a Guitarra Renascentista de 4 ordens, enquanto que a Vihuela era o instrumento da elite e dos palácios.
Esta guitarra era menor e mais simples que a Vihuela, e servia para o acompanhamento de danças e canções populares, tendo contribuído em grande medida para a simplicidade que o violão moderno viria a ter posteriormente. Foi a partir dela que começo a ser utilizado o rasqueado (bater em todas as cordas de uma vez), uma técnica que sobrevive até hoje no flamenco e na música popular.
O Nascimento e Popularização das Tablaturas
As partituras tradicionais eram difíceis de ler para instrumentos de cordas, e então surgiu um sistema de leitura visual mais simples para os músicos, a tablatura, no qual nele mostrava exatamente em qual corda e traste colocar o dedo.
Curiosidade
Hoje o uso de tablaturas para aprender uma música é resultado de um processo que foi padronizado há mais de 500 anos para facilitar a vida dos tocadores de instrumentos de cordas dedilhadas.
O Legado para os Séculos Seguintes
Instrumento cordofone Guitarra Barroca de cinco ordens
Ao final do Renascimento, a Vihuela começou a se fundir com a Guitarra de 4 ordens, resultando na Guitarra Barroca de 5 ordens. Isso foi mais um passo adiante para tornar o violão em um acompanhante universal, pois o fundo chato, o formato, e o braço com trastes permitiu a evolução da harmonia.
Sem o refino artístico da Vihuela e a popularidade da Guitarra Renascentista, o violão jamais teria a capacidade técnica para ser o instrumento solista que admiramos hoje.
Violão na Europa Industrial no Período Clássico e Romântico
Este é, sem dúvida, o período mais transformador para o instrumento. Entre o final do século XVIII e meados do XIX, o “conceito” de guitarra ou violão que vimos até aqui sofreu uma transformação definitiva. É nesse momento que o esse cordofone se transformou no violão moderno, o que mais utilizamos hoje, enquanto o outrora soberano Alaúde caiu em desuso.
A Queda do Rei: O Declínio do Alaúde
A transição do Renascimento e do Barroco para a era Clássica (por volta de 1750) não foi interessante para o Alaúde. Embora tenha sido o instrumento mais importante da Europa por séculos, ele sucumbiu a três fatores principais:
Complexidade Excessiva: Houveram versões desse instrumento que chegaram a ter até 13 ordens e 24 cordas, o que o tornava muito difícil para afinar. Uma das piadas mais ditas na época era que “um alaudista de 80 anos passou 60 afinando o instrumento”.
Volume Sonoro: O som delicado e baixo do Alaúde conseguia se projetar muito principalmente para salas de concertos cada vez maiores e mais potentes.
A Ascensão do Piano: O cravo e o piano tomaram o lugar de instrumento doméstico de elite.
O Surgimento da “Guitarra de Seis Cordas”
Instrumento Cordofone Guitarra Romantica de Seis Cordas
Á medida que o Alaúde ia sendo deixado de lado pelas elites, a guitarra passava por um processo simplificação. Até o final do século XVIII, as guitarras tinham cordas duplas (ordens). Por volta de 1780, na Itália, França e Alemanha, começou a transição para as seis cordas simples.
Essa mudança foi essencial para o violão moderno. As cordas simples fizeram com que a execução fosse mais simples, rápida e a manutenção do instrumento mais fácil. A partir de então vão surgir grandes compositores do período Clássico do violão como Fernando Sor e Mauro Giuliani, que provaram que o violão poderia rivalizar com o piano em expressividade.
Compositor Fernando Sor
Tabela: A Evolução Técnica (1750 – 1850)
Característica
Guitarra Barroca
Violão Clássico/Romântico
Cordas
5 ordens duplas
6 cordas simples
Afinação
Variável e complexa
E-A-D-G-B-E (Padrão atual)
Trastes
Tripa amarrada
Metal (fixos na madeira)
Cabeça
Cravelhas de madeira
Mecanismo de tarraxas metálicas
Tocabilidade
Foco em rasqueados
Dedilhado erudito e técnica de apoio
A Revolução de Antonio de Torres: O Violão como conhecemos
Luthier Antonio de Torres jurado
Se o período Clássico deu ao violão as seis cordas, o Período Romântico (século XIX) deu a ele o corpo. Até meados de 1850, as guitarras eram pequenas e estreitas. Eram chamadas de “guittar-lyre” ou guitarras românticas.
Foi o luthier espanhol Antonio de Torres Jurado quem mudou tudo. Ele é para o violão o que Stradivarius foi para o violino.
O Novo Formato: Torres aumentou as dimensões da caixa de ressonância, criando o formato que usamos até hoje.
O Sistema de Leque: As barras de madeiras internas (leque) foram aperfeiçoadas por ele de forma que reforçaram o tampo, permitindo que a madeira vibrasse com muito mais volume e qualidade tonal.
O Nascimento do Violão de Concerto: Com essas modificações, o instrumento finalmente teve “voz” para solar em grandes teatros.
O Violão e o Sentimento Romântico
O violão se tornou o instrumento das serenatas, da expressão individual e da boêmia, tendo com isso no século XIX se tornado um importante símbolo do Romantismo. Essa aura romântica foi fundamental para a sua popularização massiva. O instrumento deixou de ser um passatempo técnico da elite para se tornar uma ferramenta de expressão emocional.
Curiosidade
Instrumento Cordofone Viola Caipira Brasileira
Nesse período, o termo “Guitarra” na Europa já se referia quase exclusivamente ao modelo de seis cordas. Ao chegar no Brasil no século XIV, esse instrumento vai dividir a popularidade com o então instrumento que mais dominava o país até então, a Viola (com cordas duplas), trazida pelos Portugueses. Foi então consolidado entre os Brasileiros o nome de Violão para essa nova guitarra. Isso aconteceu por conta de sua aparência ser a de uma viola maior e com seis cordas.
O Legado para o Século XX
Compositor Francisco Tarrega
O ápice técnico de desenvolvimento na Europa no violão se deu através das obras e estudos do Francisco Tárrega, o principal compositor e violonista desse instrumento do final do período Romântico. Ele estabeleceu a postura e a técnica de dedos que todo estudante de conservatório usa até hoje. Ao final de sua trajetória, o violão moderno estava pronto: tinha seis cordas, um corpo potente e uma literatura riquíssima.
Com isso, o violão estava pronto para ter uma consagração definitiva nas terras brasileiras, onde esse instrumento nessa versão seria essencial para o desenvolvimento de grande parte da música Brasileira.
Violão na Brasil no Século XX e XXI
Pessoas tocando samba em roda de samba no brasil
Chegamos ao final desse guia, aonde vamos ver como que o Violão moderno ganhou uma grande proporção e importância a partir do século XX. Enquanto na Europa esse instrumento foi muito importante para o Romantismo no século XIX, no Brasil ele se tornou muito importante para a formação nacional no século XX.
O Século XX: A Era de Ouro do Violão Brasileiro
No início de 1900, o violão ainda sofria um certo preconceito no Brasil, sendo visto como um instrumento de “malandros” ou das classes menos favorecidas. No entanto, o talento de gênios populares e eruditos forçou a sociedade a reconhecer sua importância.
O Choro e a Consolidação da Identidade
Pessoas tocando choro em roda de choro no brasilInstrumento Cordofone Violão de 7 Cordas
O choro foi primeiro grande gênero a dar protagonismo ao violão. Músicos como João Pernambuco e Américo Jacomino (Canhoto) elevaram o nível técnico do instrumento.
Adaptação e Inovação Brasileira: O desenvolvimento do Violão de 7 Cordas com influências de Ciganos de origem Russa foi essencial para o desenvolvimento das “baixarias” (contrapontos graves) que sustentam as rodas de choro e samba até hoje.
A Revolução da Bossa Nova
Casal tocando bossa nova na praiaCompositor João Gilberto
Em 1958, João Gilberto fez uma mudança que impactou a história do violão mundial. Com uma batida que sintetizava o ritmo da bateria das escolas de samba nos dedos da mão direita, ele transformou o violão em um instrumento autossuficiente (ritmo, harmonia e melodia em um só).
Influência Global: A técnica brasileira de “violão e voz” tornou-se um padrão de sofisticação exportado para o mundo inteiro, influenciando do Jazz ao Pop internacional.
O Violão Erudito e de Concerto
Compositor Heitor Villa Lobos
Heitor Villa-Lobos foi um compositor muito importante e que colocou o violão brasileiro nos maiores palcos do mundo. Estudantes de Violão Erudito em algum momento aprenderão alguns dos “Doze Estudos para Violão”, considerados um manual essencial para os violonistas modernos, unindo a técnica europeia à alma brasileira.
Tabela: A Evolução dos Estilos no Brasil (Século XX e XXI)
Movimento / Época
Principal Contribuição ao Violão
Nomes de Referência
Choro (Início do XX)
Baixarias, virtuosismo e o 7 cordas.
João Pernambuco, Dino 7 Cordas.
Bossa Nova (Anos 50/60)
A batida sincopada e harmonias ricas.
João Gilberto, Baden Powell.
MPB (Anos 70/80)
Expansão de timbres e violão de aço.
Gilberto Gil, Djavan, Milton Nascimento.
Violão Moderno (Hoje)
Fusão de técnica clássica com regionalismo.
Yamandu Costa, Sergio Assad.
O Violão nos Dias Atuais: Do Nylon ao Digital
Compositor e Violonista Yamandu CostaInstrumento cordofone Violão moderno com simbolo sustentavel
No século XXI, o Brasil continua sendo um país importante e com muitos bons violonistas. O instrumento hoje vive uma fase de democratização tecnológica e diversidade estilística.
A Era Yamandu Costa: O resgate do violão de 7 cordas com uma técnica explosiva que mistura o erudito, o folclore sulista e o samba, mantendo o violão brasileiro no topo do mundo.
Tecnologia e Luthieria: A luthieria brasileira é hoje respeitada globalmente. Usamos madeiras sustentáveis e tecnologias de captação (como sistemas de pré-amplificação de alta fidelidade) que permitem ao violão acústico brilhar em estádios e grandes festivais.
Ensino Digital: O acesso à informação via internet (YouTube, cursos online) criou uma nova geração de músicos autodidatas que mantêm a chama do instrumento acesa em todos os cantos do país.
Conclusão: Por que o Violão é a Cara do Brasil?
Neste guia, fomos da pré-história até os dias de hoje para entender que o violão não é apenas um objeto de madeira e cordas, e sim um repositório de história humana. No Brasil, ele encontrou desenvolvimento fértil porque reflete a essência de nossos povo: uma mistura de raízes africanas (ritmo), europeias (harmonia) e a criatividade nata do povo brasileiro.
Seja no silêncio de um estudo de concerto ou no barulho de uma roda de samba, o violão permanece como o instrumento mais democrático, portátil e emocionante da nossa história. Agora que você conhece essa trajetória milenar, cada nota que você tocar terá o peso de milênios de evolução.
Conheça nossos outros guias
Esperamos que esse guia geral dá história do violão começando na pré-história até os dias de hoje tenha lhe ajudado a entender a importância desse instrumento. Veja abaixo outros guias que podem lhe ajudar a entender melhor o violão como um todo, o que é essencial para quem deseja ou já está aprendendo esse belo instrumento e música como um todo.
Este guia detalha como a escolha das madeiras para violão e o método de construção definem a qualidade do som e a durabilidade do mesmo em 2026. Ao explorar a ciência por trás da ressonância, explicamos desde a estabilidade prática dos modelos laminados (HPL) até a complexa maturação dos instrumentos sólidos (maciços), que “abrem o som” com o tempo. Analisamos o papel de espécies fundamentais como o Spruce, o Cedro e o Jacarandá em cada parte da anatomia do instrumento (do tampo que é o coração do timbre até os detalhes de marchetaria do mosaico), oferecendo um mapa técnico para que músicos de todos os níveis consigam equilibrar performance acústica, ergonomia e longevidade na hora da compra.
Introdução
O violão é um instrumento orgânico por conta de ser composto praticamente todo de madeiras, e isso é o um dos principais fatores que contribuem para ele ter o tipo de som característico que tem. É importante para o músico, independente se está ou não iniciando no instrumento, e para o Luthier, profissional responsável pela construção do violão e outros tipos de instrumentos, conhecer os principais tipos de madeiras e como eles podem ser aplicados em cada parte do violão. Esse guia vai proporcionar um entendimento sobre quais são, seus tipos, e como são aplicadas as madeiras nesse belíssimo instrumento.
Papel das Madeiras no Violão
As madeiras no violão cumprem uma função que vai além apenas do aspecto estético. Esse instrumento não é apenas uma caixa de madeira, e sim um ressonador acústico complexo o qual funciona através de um processo físico interno. A função delas é de garantir a integridade estrutural e determinar quais sons devem ser amplificados e quais devem ser abafados. Isso acontece através da forma que são escolhidas e trabalhadas por quem está construindo o instrumento.
A densidade e a rigidez são as características das madeiras que influenciam diretamente no timbre e qualidade do som.
Madeiras Densas no geral são mais rígidas e tendem a produzir um som mais brilhante e com melhor projeção e geralmente são aplicadas em violões de aço. Exemplo, Abeto (Spruce);
Madeiras Menos Densas são mais macias e tendem a oferecer um som mais grave, quente e “doce”, e geralmente são aplicadas em violões de nylon. Exemplo, Jacarandá (Rosewood);
Portanto, entender a anatomia das madeiras é fundamental para alinhar o instrumento ao seu estilo de toque. Seja buscando a rigidez longitudinal no braço para estabilidade, ou o desenho dos veios (grain pattern) no tampo para melhor propagação, a escolha da madeira é, fundamentalmente, a escolha do seu timbre.
Madeiras Laminadas e HPL: Resistência, Custo-Benefício e Tecnologia
Violão com madeiras sólidas e material para laminados
No processo de construção de construção do violão pode ser utilizado dois tipos de madeiras: madeira laminada ou madeira sólida. A madeira sólida é uma peça única extraída direto da tora, enquanto a madeira laminada é um material composto. Ele é construído através da sobreposição de finas camadas de madeira (folhas) prensadas com adesivos industriais, geralmente com os veios cruzados para garantir estabilidade estrutural do instrumento.
O que define um violão laminado?
O violão laminado pode ser considerado desse tipo quando uma ou mais de suas partes (como tampo, laterais e fundos) é composto com esse tipo de material. A qualidade do timbre desse tipo de madeira geralmente não é superior a qualidade de uma madeira sólida apesar de ter melhorado muito nos últimos anos utilizando laminados de alta densidade HPL (High Pressure Laminate). Entretanto, esse instrumento com o material laminado consegue em relação ao violão sólido, ganhar uma estabilidade dimensional melhor, mantendo-se estável em variações de temperatura e umidade.
Atributo Técnico
Impacto no Instrumento
Benefício para o Músico
Construção Cruzada
Evita que a madeira rache ou empene com facilidade
Ideal para regiões com alta variação de umidade
Massa Constante
O timbre é uniforme e não sofre alterações com o tempo
Você sabe exatamente como o violão soará hoje e daqui a 5 anos
Resistência Mecânica
Suporta melhor impactos e a tensão das cordas de aço
Maior durabilidade para quem transporta o instrumento com frequência
Custo de Produção
Processo industrial otimizado e sustentável
Preço acessível para quem está no nível iniciante ou intermediário
Quando escolher o Violão Laminado?
O violão laminado pode ser indicado caso você more em regiões muito úmidas (litorâneas), muito secas (interior), se está começando ou em um nível intermediário ou precisa transportar com frequência o instrumento. O controle da hidratação, manutenção e cuidados é mais simples em violões laminados do que violões sólidos.
Dica de Especialista
Muitos violões modernos utilizam o chamado “Laminado de Luxo”, onde a camada externa é uma folha nobre (como Rosewood ou Koa) e as camadas internas são de madeiras tonais como o Sapele. Isso garante uma estética impecável com a resiliência do material composto.
Madeiras Sólidas (Maciças): A Busca pela Pureza e o Fenômeno da Maturação
Violão com tronco de madeiras sólidas
O laminado é uma excelente escolha para, entre outros motivos, a durabilidade, entretanto o violão de madeira sólida (maciça) é a escolha mais adequada para o músico que busca riqueza harmônica e projeção. Essas características únicas do som se devem porque as madeiras sólidas que compõem o instrumento provem de uma peça única cortada diretamente do tronco da árvore preservando a integridade das fibras e dos canais de resina.
O maior diferencial do instrumento com madeiras maciças em relação aos instrumentos com madeiras laminadas é porque eles permitem que o violão vibre como um todo. Isso acontece porque no momento do ataque nas cordas para gerar o som, não há muitas camadas de cola ou cruzadas, permitindo a energia viajar com muito menos resistência.
Por que a Madeira Sólida “Abre o Som” com o Tempo?
A madeira sólida, diferente de outros materiais, é um organismo vivo e continua evoluindo com o tempo mesmo após o corte.
Cristalização das Resinas: Com o passar dos anos e a vibração constante das cordas, as resinas naturais dentro da madeira se cristalizam. Isso torna a estrutura mais rígida e leve, permitindo que o tampo responda a frequências que ele não alcançava quando era novo.
Memória Vibracional: Quanto mais você toca um violão sólido, mais as células da madeira se alinham para favorecer a ressonância. Isso explica por que violões vintage de 40 anos possuem um som tão “doce” e profundo.
Atributo de Performance
Impacto no Timbre
O que o usuário sente
Resposta Dinâmica
Sensibilidade extrema ao toque (do pianíssimo ao fortíssimo)
O violão responde a cada detalhe da sua palhetada
Complexidade de Harmônicos
Presença de overtones (notas que soam junto com a nota principal)
Um som “cheio”, que preenche o ambiente sem esforço
Sustain (Sustentação)
As notas demoram mais para sumir
Ideal para solos, dedilhados lentos e melodias expressivas
Valorização Patrimonial
Instrumentos “All Solid” tendem a valorizar com a idade
É um investimento que melhora com o tempo, como um bom vinho
O Desafio da Madeira Maciça: Cuidados e Ambiente
A madeira sólida é “viva”, e por isso requer cuidados adicionais. Esse material é higroscópico, ou seja, ele troca umidade com o ar constantemente. O dono de um instrumento com esse tipo de material precisa se atentar a estabilidade dimensional do mesmo no momento, por exemplo, quando há troca de temperaturas extremas.
Outro aspecto importante também é a hidratação e controle da temperatura no local de armazenamento do instrumento. Se o ambiente estiver muito seco, a madeira retrai e pode rachar, e caso o ambiente esteja muito úmido, ela estufa e perde o brilho sonoro.
Dica de Especialista
Procure por tampos com corte Radial (Quartersawn). Você identifica isso olhando os veios da madeira: eles devem ser linhas retas, paralelas e muito próximas. Esse tipo de corte garante que o tampo suporte a tensão das cordas (especialmente no aço) sem empenar ao longo das décadas.
Madeiras Sólidas vs. Laminadas: Qual a melhor escolha para você?
Depois de entender o que significa madeiras sólidas e laminadas, a resposta para a escolha do melhor violão depende do seu objetivo e também de onde você mora. O violão sólido é um “organismo vivo” que evolui o som com o tempo e tem grande expressividade harmônica, enquanto que o violão laminado é como um “tanque de guerra”, o qual é projetado para a constância, sustentabilidade e durabilidade.
Na tabela comparativa abaixo você vai ver as principais diferenças entre eles:
Critério de Escolha
Violão de Madeira Sólida
Violão de Madeira Laminada
Evolução Sonora
O timbre “abre” e melhora com os anos
O som é constante (não muda com o tempo)
Resistência Climática
Sensível a rachaduras por falta de umidade
Alta resistência a variações de temperatura/umidade
Projeção e Volume
Alta fidelidade e dinâmica rica
Projeção padrão, menos sensível ao toque
Manutenção
Exige controle de hidratação rigoroso
Manutenção simples e rotineira
Veredito: Onde investir seu dinheiro?
A escolha do instrumento deve seguir seus objetivos e o contexto de uso:
Escolha o Violão Sólido se: Você busca um instrumento para a vida toda, toca estilos que exigem muita dinâmica (como dedilhados clássicos ou fingerstyle) e tem um ambiente controlado para guardar o instrumento. A riqueza de harmônicos aqui compensa cada centavo do investimento.
Escolha o Violão Laminado se: Você é um iniciante que ainda está descobrindo seu som, viaja muito com o instrumento ou mora em locais com climas extremos (muito úmidos ou muito secos). A estabilidade dimensional do laminado evitará dores de cabeça com empenamentos e rachaduras precoces.
Dica de Especialista
Violões totalmente sólidos (tampo, fundo e laterais) tendem a ser mais caros que violões laminados, entretanto caso seu orçamento seja mais limitado, você pode procurar por violões com “Tampo Sólido e Laterais Laminadas”. Essa configuração é o melhor dos dois mundos: você garante a qualidade acústica onde ela mais importa (no tampo) e mantém a estrutura lateral robusta e mais barata.
Guia de Escolha: As Melhores Madeiras para cada Parte do Violão
Uma vez entendido quais os tipos de madeira, agora é importante entender que o violão é composto de diversas partes de madeiras e cada uma delas tem uma função. Enquanto algumas precisam vibrar com mais facilidade, outras precisam ser rochas de estabilidade. Abaixo será detalhado por parte desse instrumento quais os tipos e madeiras mais recomendados.
Madeiras para o Tampo (O Coração da Ressonância)
Corpo de um violão de sete cordas
O tampo é a parte central da identidade sonora desse instrumento, pois representa cerca de 70% a 90% de sua capacidade de produzir som além de converter a energia das cordas em som audível. As características mais desejadas para essa parte é madeiras com baixa densidade e alta velocidade de som.
Madeira
Características Sonoras
Estilo Musical Ideal
Abeto (Spruce)
Brilhante, vívido e com grande projeção (headroom)
Rock, Pop, Bluegrass e dedilhados modernos.
Cedro (Cedar)
Quente, aveludado e com resposta imediata ao toque leve
MPB, Música Clássica e Bossa Nova
Mogno (Mahogany)
Som seco, focado em médios, com poucos harmônicos agudos
Blues, Folk e gravações que pedem um som “fechado”
Abeto (Spruce)
Arvore Abeto (Spruce)Textura do Abeto
O Abeto é a escolha mais padrão e comum para violões de aço, além de ser famoso por “abrir o som” drasticamente com o passar do tempo e a medida em que é tocado, tornando o timbre mais rico além de ter agudos mais cristalinos.
Cedro (Cedar)
Arvore CedroTextura do Cedro
Diferente do Spruce, o Cedro já nasce “pronto”. Ele não evolui tanto com os anos, mas entrega um calor e uma doçura que o Spruce não alcança. É a alma do violão de nylon. Sua resposta dinâmica é excelente para quem toca com as pontas dos dedos (sem palheta), pois ele vibra com facilidade mesmo sob pouca pressão.
Mogno (Mahogany)
Arvore MognoTextura do Mogno
Usar Mogno no tampo (não apenas no fundo) cria um violão com personalidade única. O som é menos “explosivo” e mais focado na nota fundamental. É a escolha preferida de muitos blueseiros que buscam aquele timbre vintage e rústico dos anos 30.
Madeiras para Laterais e Fundo (A Câmara de Reflexão)
Fundo e laterais de um violão sete cordas
Enquanto o tampo do violão projeta o som, as laterais e fundos (conhecidos na luteria como back and sides) são responsáveis por complementar o timbre. Essa parte funciona como um espelho sonoro, pois dependendo da madeira escolhida, o som pode ser mais sombrio e profundo ou mais brilhante e seco. A escolha da madeira nessa parte define o Sustain (quanto tempo dura a nota) e a separação das notas (clareza).
Madeira
Perfil de Timbre
Comportamento Acústico
Jacarandá (Rosewood)
Rico e Profundo
Graves potentes e agudos “metálicos” (cristalinos)
Mogno (Mahogany)
Equilibrado e Quente
Foco nos médios; som muito limpo e direto
Maple (Bordo)
Brilhante e Rápido
Som seco, com poucos harmônicos; ótimo para palhetadas
Cipreste (Cypress)
Explosivo e Seco
Tradicional em violões de Flamenco; resposta imediata
Jacarandá (Rosewood): O Padrão Ouro
Arvore Jacaranda BaianoTextura do Jacaranda
O Jacarandá é a madeira mais desejada para o fundo e laterais do violão. É uma madeira de alta densidade e que permite refletir o som com uma grande riqueza de harmônicos (overtones) incomparável. O resultado é um som com graves cheios e agudos, sendo ideal para quem deseja um instrumento que preencha o ambiente. É uma madeira rara no geral, e a as mais utilizadas são o Indiano e o Brasileiro.
Mogno e Sapele: Clareza nota por nota
O Mogno é o oposto do Jacarandá em termos de característica sonora. O som do Mogno propicia uma separação das notas de forma mais impecável, sendo a preferida para gravações em estúdio, pois já sai com o som naturalmente equilibrado. Os dedilhados rápidos no Jacarandá podem soar um pouco confuso por conta do excesso de harmônicos, enquanto no Mogno eles soam de forma mais definida.
Maple: O brilho que corta
Arvore MapleTextura do Maple
O Maple é uma madeira muito densa e rígida, visualmente linda porque seus veios no geral se parecem com chamas ou pássaros. O foco do som nessa madeira é a clareza total do som, pois ajuda a controlar o excesso de grave principalmente em violões com caixas maiores, como o Jumbo por exemplo.
Dica de Especialista
Existem madeiras Brasileiras que podem ser utilizadas como substitutos sustentáveis ao Jacarandá, como o Pau-Ferro e a Imbuia, que tem ganhado o mercado internacional. O timbre dessas madeiras é muito próximo e ao Jacarandá além de ter uma excelente durabilidade e uma estética Brasileira única.
Madeiras para Braço e Cabeça (Estabilidade e Sustentação)
Cabeça e Escala de um violão Sete CordasCabeça e Escala de um violão Sete Cordas de Costas
A função da madeira no braço e na cabeça do violão deve ser pensada para propiciar tocabilidade, segurança, durabilidade e resistência a torsão. A madeira deve ser firme o bastante para conseguir suportar a tensão das cordas que pode ser aproximadamente 40kg para violões de nylon a 70kg no violão de aço. Caso seja escolhido a madeira errada, o instrumento pode empenar, torcer ou causar trastejamento, tornando o instrumento impossível de tocar.
Madeira
Função Principal
Sensação ao Tocar
Mogno (Mahogany)
Estabilidade absoluta
Leve e com excelente transferência de vibração
Cedro Rosa (Cedar)
Tradição e Leveza
O padrão para violões de nylon; muito estável
Maple (Bordo)
Rigidez Máxima
Denso e resistente; comum em violões de aço
Mogno (Mahogany): O Rei dos Braços
O mogno é a principal madeira escolhida para braços de violão no mundo, por conta de possuir uma estabilidade dimensional incrível. Essa madeira reage pouco as variações de temperatura e umidade, é porosa e densa na medida certa e ajuda na sustenção da nota, permitindo que a vibração da corda percorra pelo violão inteiro sem perdas.
Cedro Rosa: A Essência do Violão Brasileiro
O Cedro Rosa é uma madeira Brasileira muito comum nos violões principalmente de nylon, pois ela é extremamente leve, tem um cheiro característico, e sua grande vantagem é a resistência ao tempo. Se bem cuidado, dificilmente dará empenamento estrutural ao longo das décadas.
Maple: Para aguentar o tranco
O Maple é muito mais pesado e rígido que o Mogno. Ele oferece um ataque mais rápido às notas. É comum vê-lo em violões de aço e guitarras, onde a tensão é maior. Se o objetivo for a estabilidade total do braço, o Maple é a escolha mais adequada.
Dica de Especialista
Ao analisar o braço de um violão, observe se ele possui o chamado Truss Rod (tensor) de ação dupla. Mesmo com a melhor madeira do mundo, a madeira é um material orgânico que se move. O tensor permite que você ajuste a curvatura do braço para compensar a tração das cordas, garantindo que o violão esteja sempre macio para tocar.
Escala e Cavalete (O Ponto de Contato e Ataque)
Escala de um violão Sete CordasCavalete de um Violão Sete Cordas
As madeiras presentes na escala e cavalete são as mais densas do violão e rígidas do violão porque elas estão a todo momento suportando a pressão das cordas e o contato com os dedos. O cavalete está preso no corpo do instrumento e sofre constantemente a pressão das cordas para ser “arrancado” do tampo enquanto que a escala sofre o atrito das cordas e a acidez do suor dos dedos.
Madeira
Densidade e Toque
Impacto no Som
Ébano (Ebony)
Ultra densa e lisa
Ataque imediato, som “estalado” e luxuoso
Jacarandá (Rosewood)
Porosa e oleosa
Som mais doce, “suaviza” agudos excessivos
Pau-Ferro
Muito dura e clara
Meio-termo perfeito; timbre brilhante e percussivo
Ébano: O Luxo da Velocidade
Arvore Ebano AfricanoTextura do Ebano
O Ébano é uma das madeiras mais escuras e densas que existem para os violões. Ela tem uma superfície com quase nenhum poro visível e possui uma digitação extremamente veloz e macia. Seu som oferece um ataque (punch) muito rápido. Se você toca estilos que exigem clareza absoluta em notas rápidas, o Ébano é o mais recomendado.
Jacarandá (Rosewood): Conforto e Calor
Diferente do Ébano, o Jacarandá nesse contexto é uma madeira mais oleosa e porosa. Essas características fazem com que o som que ela proporciona seja um pouco mais orgânico, encorpado e quente.
Pau Ferro
Arvore Pau FerroTextura do Pau Ferro
É uma madeira dura, resistente e de alta densidade que serve como um meio termo entre o Ébano e o Jacarandá. O som desse material tende a ser mais brilhante, estalado e nítido, oferecendo boa sustentação e projeção sonora.
O Cavalete: A Ponte para o Som
O cavalete geralmente é feito da mesma madeira que a escala para manter o equilíbrio estético e sonoro. Ele é a peça que recebe a vibração do rastilho e a propaga no tampo. Essa parte não pode ser composta de uma madeira muito leve, senão ela não terá massa o bastante para sustentar o som, assim como não pode ser muito pesado, senão o som ficará travado e não conseguirá vibrar. As madeiras mais comuns no cavalete é o Jacarandá Indiano e o Pau-Ferro, porque possuem a massa exata para transferir a energia sem abafar a ressonância.
Dica de Manutenção
As madeiras da Escala e Cavalete por sem cruas e sem verniz, tendem a ressecar. Se você perceber que essas madeiras estão ficando acinzentadas ou com pequenas fendas, é sinal de que elas precisam de hidratação que devem ser feitas cuidadosamente e para isso pode-se usar óleo mineral ou óleo de limão. Uma escala hidratada não apenas dura mais, como evita que os trastes saiam para fora com a retração da madeira.
Mosaico e Partes Decorativas (A Assinatura e o Acabamento)
Buraco e roseta de um violão sete cordas
Enquanto o tampo é a voz do violão, o mosaico (ou roseta) é a identidade visual do violão. O mosaico tradicionalmente fica ao redor da abertura do tampo do violão e ocupa uma função que vai além de ser apenas uma peça decorativa. Ele também tem uma função estrutural, reforçando a abertura do tampo e evitando que a madeira rache com a vibração e tensão das cordas.
A escolha das madeiras nessa parte está focada na marchetaria, a arte de combinar peças minúsculas de cores diferentes para criar padrões únicos.
Elemento Decorativo
Madeiras Comuns
Função Técnica e Estética
Roseta (Mosaico)
Marfim, Ébano, Jacarandá, Maple
Reforço da boca do violão e assinatura do luthier
Binding (Filetagem)
Jacarandá, Maple, Plástico (ABS)
Protege as quinas do corpo contra impactos e umidade
Purfling (Ornamentação)
Camadas de cores contrastantes
Delimita o design e ajuda a isolar a vibração do tampo
Headstock Veneer
Jacarandá, Ébano, Imbuia
Camada fina que dá acabamento luxuoso à frente da mão
O Mosaico: Marchetaria e Identidade
O mosaico pode ser composto de alguns tipos de materiais como madeiras, adesivos ou plásticos. Os de madeira são feitos com marchetaria e passam uma sensação de um violão de alta gama. Algumas madeiras utilizadas são o Marfim (claro), o Ébano (preto) e o Mogno (avermelhado) para criar desenhos geométricos que mostram a precisão e cuidado do encaixe manual além de embelezar o instrumento.
Filetes e Bordas (Binding): A Proteção Invisível
Os filetes que contornam o corpo do violão são essenciais. Quando feitos de madeira (como o Maple ou o Jacarandá), eles oferecem uma transição térmica e acústica mais orgânica do que o plástico. Essa parte do violão, suas quinas, são as mais expostas a batidas, e uma madeira dura absorve o impacto e evita que rachaduras possam acontecer no tampo ou nas laterais.
O Headstock Veneer (Lâmina da Cabeça)
Há violões que em sua cabeça é colocado uma lâmina fina de uma madeira diferente da tem no braço. Isso pode acontecer tanto por questões estéticas quanto para propiciar uma leve camada a mais de rigidez na região das tarraxas com o objetivo de ajudar na estabilidade da afinação.
Dica de Especialista
Ao avaliar um violão usado ou novo, é possível descobrir se o tampo do violão retraiu por falta de hidratação. Uma das formas para isso é verificar o mosaico, pois basta passar a mão e verificar se há ou não algum relevo. O mosaico de madeira autêntica deve reagir junto com o violão, podendo ser considerado uma das formas de avaliar a saúde desse instrumento.
Conheça nossos outros guias
Esperamos que esse guia das madeiras para violão tenha lhe ajudado. Veja abaixo outros guias que podem lhe ajudar a entender melhor o violão como um todo, o que é essencial para quem deseja ou já está aprendendo esse belo instrumento e música como um todo.
Este guia explora as partes do Violão, detalhando, em 2026, como a interação entre componentes, da precisão das tarraxas à estabilidade do tensor, define o timbre e a tocabilidade. Analisamos a função vital do tampo na projeção sonora e as diferenças entre sistemas acústicos e eletrónicos híbridos, oferecendo o conhecimento técnico necessário para realizar manutenções preventivas e escolhas de compra mais assertivas.
Introdução
Nesse guia você vai entender o que é preciso saber sobre a anatomia do Violão, suas partes estruturais e o que compõem cada uma delas, além das funções que cada uma desempenha. Esse conhecimento é importante para o músico e as pessoas interessadas de forma geral porque ele vai ajudar tanto à medida que a pessoa vai aprendendo assim como na hora de adquirir um instrumento novo ou usado.
Anatomia do Violão: Por que entender a função de cada parte?
Independente se você está começando a tocar o violão ou já um profissional nesse instrumento há muito tempo, entender a anatomia desse instrumento é o que separa um “dono de instrumento” de um verdadeiro músico. Esse instrumento é mais do que apenas um objeto estético, pois ele é uma máquina de engenharia acústica onde cada componente trabalha em um equilíbrio delicado de tensão e vibração.
Entender a nomenclatura e as partes do violão vai trazer benefícios para você, alguns deles são:
Precisão na Compra: Quando você estiver pesquisando para comprar um instrumento, vai ser possível entender melhor termos que existem nas descrições técnicas como “Rastilho de osso”, “Nut de 43mm”, “Tampo laminado ou sólido”, dentre outras.
Comunicação com o Luthier: Caso o instrumento comece a “trastejar” ou a afinação não segura, você consegue identificar mais ou menos se o problema está nas tarraxas ou na curvatura do braço. Dessa forma você economiza tempo e dinheiro em manutenções.
Preservação do Patrimônio: Entender que o cavalete do violão suporta dezenas de quilos de tensão da tração das cordas pode ajudar você a perceber sinais de descolamento do tampo antes que aconteça um dano irreversível no instrumento.
A Engrenagem Acústica: Um Sistema de Sistemas
O violão pode ser dividido em três grandes partes:
Cabeça (Headstock): Responsável por “preparar”, afinar e manter afinado o instrumento
Braço (Neck): Onde uma boa parte da música vai ser executada através da pressão dos dedos nas cordas
Corpo (Body): Onde vai sair o som e a ressonância do mesmo.
Nos tópicos a seguir, você vai descobrir o papel de cada parte e como cada delas influência na estabilidade dimensional, estrutural e no timbre.
A Cabeça (Headstock) – O Centro de Afinação e Estabilidade
Cabeça do violão de cordas de açoCabeça do violão de cordas de nylon
A Cabeça (Headstock) é o ponto de ancoragem onde inicia e é controlado a tensão das cordas. Para manter a afinação do instrumento, a cabeça deve ser capaz de sustentar a pressão das cordas, manter firme as tarraxas e garantir o ângulo de quebra das mesmas sobre a pestana, pois esse é um fator crucial para evitar que aconteça vibrações desnecessários no violão.
As Tarraxas (Tuners ou Machine Heads)
As tarraxas são as peças de engrenagem que garantem a precisão da afinação no instrumento. Cada tipo de violão utiliza de forma geral tipos de tarraxas diferentes.
Os Violões de Nylon de forma geral utilizam tarraxas em linha em suportes de plástico ou metal, com eixos mais grossos para não danificar a corda de nylon. Os Violões de Aço por sua vez utilizam tarraxas individuais, muitas vezes blindadas (lubrificadas internamente), para suportar a alta tração e evitar a entrada de poeira e oxidação nas engrenagens.
Para verificar se essas peças são de boa qualidade, independente do tipo do violão, deve-se levar em conta os seguintes aspectos:
Movimento Suave e Firme
Ao girar a borboleta (botão) da tarraxa, o pino deve girar imediatamente sem folgas de forma suave e sem pulos ou resistência excessiva. Caso aconteça de o pino demorar a girar ou folga na engrenagem, isso vai causar folga da afinação.
Estabilidade da Afinação
Tarraxas de alta qualidade prendem a corda e não deixam a afinação ser afetada com facilidade mesmo com o uso intenso do instrumento. As engrenagens alta qualidade são feitas com usinagem de precisão, enquanto as mais baratas costumam ser de liga fundida (die-cast) de baixa qualidade, que gera um desgaste rápido. Quanto maior a razão de engrenagem (ratio) dessas (como 18:1 ou 21:1), maior o ajuste micrométrico da afinação.
Blindagem e Material
Tarraxas de boa qualidade usam materiais mais resistentes e evitam pinos e botões de plástico. No geral há dois tipos: blindadas e abertas. As blindadas protegem mais a engrenagem de sujeira e corrosão, o que não quer dizer que não existam abertas de alta qualidade.
A Pestana (Nut): O Ponto Zero da Escala
A pestana determina o espaçamento entre as cordas e a altura inicial da ação das mesmas. Uma pestana com um material inferior ou não regulada corretamente pode prejudicar a tocabilidade, requerendo mais esforço da mão e dos dedos para pressionar as cordas, além de prejudicar o som podendo trastejar desnecessariamente ou abafar um pouco a propagação do mesmo.
Pestanas de alta qualidade no geral são produzidas com osso natural, por ser rígido e denso, por materiais alternativos de alta tecnologia como o TUSQ. Além disso, elas devem ser devidamente rebaixadas, lixadas e acabadas para evitar que que os problemas como acima descritos aconteçam.
O Ângulo de Quebra e a Inércia
O ângulo em que a corda desce da pestana para o pino da tarraxa influência no som, pois se a inclinação estiver correta nas fendas da pestana, isso pode evitar chiados indesejados. A densidade e rigidez presente nas madeiras da cabeça do violão influência na inércia vibracional do braço. Se essa parte não for densa o bastante, isso pode resultar em “notas mortas” soando em determinadas regiões da escala.
Dica de Especialista
Caso aconteça de a corda ficar com dificuldade de se movimentar (ficando presa) na pestana, você pode no momento de trocar as cordas, aplicar um pouco de grafite nas fendas da pestana. Isso evita que ocorram estalos chatos na hora de girar a tarraxa.
O Braço (Neck) – A Pista de Performance e Ergonomia
Braço do Violão
Enquanto a cabeça é responsável pelo controle da afinação do instrumento, o braço é responsável por permitir que o músico desempenhe grande parte de sua técnica de forma confortável o bastante. Grande parte do contato físico do músico com o instrumento ocorre no braço, e caso esse esteja mau ajustado, pode acontecer de causar dores, fadiga e até desistência do aprendizado.
Nessa parte o conforto é definido pelo o equilíbrio entre a tensão das cordas, a resistência da madeira e escala e trastes bem ajustados.
O Tensor (Truss Rod): A Espinha Dorsal do Violão
Tensor para braço de violão
O tensor é uma barra de metal (geralmente de ação dupla de 38cm a 46cm) que atravessa o interior do braço do instrumento. Ele é uma das peças mais importantes no violão, tendo sido mais utilizado principalmente dos anos oitenta para cá.
Ele serve para contrapor a força de tração das cordas. Se as cordas curvam o braço para frente, o luthier ajusta o tensor para criar uma tensão oposta. Nem sempre o ideal é um braço perfeitamente reto, pois ele precisa de um leve “alívio” (relief) para que as cordas tenham espaço para vibrar sem bater nos trastes, evitando assim o trastejamento. Tensores de alta qualidade no geral são produzidos com aço robusto e permitem ajuste bilateral (bidirecional).
A Escala (Fretboard) e o Raio
A escala é uma lâmina de madeira densa e rígida (Jacarandá, Ébano, Pau-Ferro) mais fina colada sobre o braço do instrumento. Violões de aço costumam ter uma escala levemente curvada (radiada) para facilitar a execução dos acordes, costumam ter escalas planas (flat) para favorecer a técnica clássica de dedilhado e aberturas de mão.
Escala de alta qualidade deve ser composta de uma madeira de boa qualidade e estar perfeitamente reta, alinhada com o braço, os trastes devidamente encaixados, sem torções, descolamentos do braço e sua superfície ser lisa e não áspera.
Dica de Especialista
Evite escalas pintadas (que imitam madeira escura) em violões de valor mais alto, pois a pintura pode descascar e indicar que foi utilizado madeira de baixa qualidade.
Trastes (Frets) e Casas
Os trastes são os filetes de metal (latão, alpaca ou aço inoxidável) colocados precisamente (milimetricamente) de forma semitonal na escala dos violões para que o violão soe afinado. Trastes bem polidos e com as bordas arredondados além de propiciar um acabamento melhor ao instrumento, também propicia mais conforto ao músico, evitando arranhar e cortar os dedos e suas pontas. Caso haja algum desconforto na sua mão por conta dos trastes, seu instrumento pode precisar de um serviço de luthieria chamado Retífica e Nivelamento.
Marcações (Inlays)
Essas marcações são pontos ou desenhos os quais são colocados na frente ou na lateral superior da escala. A função desses pontos não é apenas decorativa, e sim propiciar ao músico marcações visuais para ajudá-lo a localizar rapidamente as notas nas casas 3, 5, 7, 9 e 12. Em instrumentos de entrada, essas marcações são feitas geralmente de plástico (ABS) imitando madeiras, enquanto que instrumentos premium elas podem ser de madrepérola ou abalone, adicionando um valor estético e patrimonial ao violão.
O Corpo (Body) – A Caixa de Ressonância e a Voz do Instrumento
Corpo do violão de frente apoiado em um suporte no chão
O corpo do violão é a parte onde a física acústica acontece da forma mais intensa possível, pois é onde quase 100% da vibração do instrumento ocorre. Sua função é amplificar a vibração das cordas e projetá-las através do ar, o que não seria possível fazer apenas com as cordas sozinhas, pois seriam quase inaudíveis. Além de propiciar uma qualidade estética ao instrumento, também define a sonoridade do instrumento, se ele terá graves estrondosos ou um timbre mais focado e brilhante.
O Tampo e a Boca (Soundhole)
Buraco e roseta de um violão sete cordas
O tampo representa para o violão de 70% a 90% de sua capacidade e identidade sonora. Sua função é converter a energia das cordas para um som audível. No centro do tampo está a boca, que permite que o ar movido pela vibração interna saia da caixa.
O tamanho e o formato da boca do violão influenciam a resposta dos graves. Para o tampo vibrar livremente e evitar que imploda no instrumento por conta da tensão das cordas, ele é suportado por um conjunto de ripas de madeiras colados na parte de dentro do caixa acústica em um padrão especifico.
O Cavalete (Bridge) e o Rastilho (Saddle)
cavalete e rastilho de um violão sete cordas
O cavalete é uma peça colada diretamente no tampo sobre o tampo do violão. É a peça que segura a tensão das cordas e o rastilho, além de aplicar sobre o tampo a vibração das cordas.
O rastilho é o equivalente à pestana, mas no corpo do violão. Ele determina a altura da ação das cordas na parte inferior e é fundamental para a oitava (entonação) do instrumento. Se o rastilho estiver na altura errada, o violão ficará mais duro para tocar ou soará desafinado nas casas mais altas.
Para travar as cordas no cavalete, em violões de nylon geralmente amarrasse as cordas nele enquanto em violões de nylon as cordas são presas utilizado pinos ou amarradores.
O Escudo (Pickguard)
Corpo de violão dreadnought com escudo (pickguard)
O escudo, presente em violões de aço geralmente, é uma lâmina (geralmente de celuloide ou PVC) colado ao lado da boca do tampo. O objetivo desse escudo é proteger a madeira do tampo contra os riscos das palhetadas mais agressivas ou golpes percussivos. Essa peça é indispensável para preservar o acabamento da madeira maciça.
Roldanas e Jacks
Violão eletrico com cabo P10 conectado no contector P10
As roldanas (strap buttons) são os pinos onde você prende uma correia para permitir você tocar em pé. Em violões eletroacústicos, a roldana inferior muitas vezes serve também como o jack, a entrada onde você conecta o cabo P10 para ligar o violão em um amplificador ou mesa de som.
Dica de Especialista
Existem violões com tamanhos de corpo diferentes (Dreadnought, Parlor, Auditorium) e essa escolha deve se dar sobre seu estilo e biotipo e não apenas de “quanto maior, melhor”. Violões com corpos maiores (como o Jumbo) entregam graves potentes, mas podem ser desconfortáveis para pessoas menores ou para quem busca um som mais equilibrado para gravações de estúdio.
Parte Elétrica – Amplificando a Essência Acústica
Violão cutway mostrando saida p10 e compartimento de bateria
Nem todos os violões são apenas acústicos. Existem variações desse instrumento projetados como eletroacústicos, o qual são compostos de sistemas e hardware que permitem a conexão em caixas de som, mesas de som e interfaces de gravação. Entender isso é importante para quem pretende tocar em bares, palcos, igreja ou mesmo produzir conteúdos para a internet.
No violão, a tecnologia dos captadores e sua parte elétrica é mais discreto que na guitarra porque o foco é maior na fidelidade tonal. Já nas guitarras, as partes elétricas e magnéticas são visíveis. A parte elétrica nesse instrumento é composto de algumas partes.
Captadores
Boca do violão com captador móvel por debaixo das cordas
O captador é responsável por captar a energia da vibração mecânica das cordas e convertê-lo em sinal elétrico e envia-lo para o pré-amplificador. Há alguns tipos de captadores e o mais comum encontrado em violões elétrico é o Captador de Rastilho (Piezo). Ele é cristal piezoelétrico que fica escondido logo abaixo do rastilho funcionando diretamente no cavalete e captando a pressão mecânica e a vibração das cordas.
Sistemas Híbridos (Microfones Internos)
Parte interna de um violão elétrico
Como forma de complementar a captação, geralmente em violões mais caros, costuma-se utilizar mais um sistema de captação além do Piezo no rastilho por exemplo. Ele é composto um pequeno microfone condensador dentro da caixa de ressonância o qual pega o “ar” dentro do corpo do violão enquanto o captador de piezo pega a vibração das cordas. O grande diferencial é que após serem captados, ambos os sons são misturados no pré-amplificador (blend) tendo como resultado o som mais natural possível, próximo de um violão microfonado em estúdio.
O Pré-amplificador (Preamp)
É a “caixinha” instalada na lateral do violão. Sua função é processar o sinal fraco do captador e prepará-lo para a saída. De forma geral, os pré-amplificadores contém alguns controles essenciais, como volume, equalização (Grave, Médio e Agudo), Afinadores Cromáticos, Fase (cancela o feedback, ou microfonia, em palcos barulhentos através da inversão das ondas sonoras).
O Jack de Saída e o Compartimento de Bateria
O Jack P10 é o conector fêmea localizado geralmente na lateral inferior do corpo do violão. Nele é conectado o cabo P10 por qual vai passar os sinais elétricos do Pré-amplificador para o Amplificador ou Mesa de Som. É importante ressaltar que quase todos os sistemas eletroacústicos são ativos, ou seja, dependem de uma bateria (geralmente 9V).
Dica de Especialista
Mantenha conectado o cabo do violão apenas quando estiver tocando e precisar que o som esteja conectado a uma mesa de som ou amplificador. Caso mesmo que não esteja tocando mas estiver conectado, a bateria vai ser consumida.
Problemas que podem Acontecer com o Violão
Uma vez que você entendeu quais são as partes do violão, veja abaixo quais são os problemas mais comuns com o violão e o que fazer caso isso aconteça.
Esperamos que esse guia das partes de violão tenha lhe ajudado. eja abaixo outros guias que podem lhe ajudar a entender melhor o violão como um todo, o que é essencial para quem deseja ou já está aprendendo esse belo instrumento e música como um todo.
Este guia explora os principais Tipos de Violão existentes através de perspectivas como anatomia, técnica e prática. Dessa forma, os músicos e pessoas interessadas podem navegar entre os diversos tipos desse instrumento. Seja através da doçura do nylon, a projeção do aço, o formato do corpo (shapes como Folk e Parlor), quantidade de cordas, materiais de construção (laminados, maciços e carbono), performance, detalhes de ergonomia como a largura da pestana (nut) e o comprimento da escala. Essas variáveis todas permitem você entender a física do instrumento e escolher o violão que melhor se adapta ao seu estilo musical e estatura física.
Introdução: O Mapa para o Seu Timbre Ideal
O violão, assim como muitos dos instrumentos atuais, começou a séculos atrás e foi gradualmente evoluindo e sofrendo alterações até chegar nos dias de hoje. Devido a esses fatores históricos e também à sua popularização, o violão hoje se tornou um universo próprio. Para as pessoas que não praticam esse instrumento, ele pode parecer apenas uma “caixa com cordas”, enquanto que para os músicos, cada detalhe do violão relacionado aos materiais, corpos, cordas, dentre outros influencia diretamente no conforto, na técnica e no timbre do som.
Hoje em dia, com a evolução dos materiais, tecnologia e a popularização desse instrumento, o mercado oferece soluções para todas as necessidades: do estudante que precisa de ergonomia em um apartamento silencioso ao profissional que precisa de projeção em grandes palcos.
Você verá neste guia os diversos tipos de violões existentes classificados através de diversos aspectos desse instrumento, como materiais utilizados na construção, tipos de cordas, quantidade de cordas, formato (shape), tamanho, performance, entre outros.
Dica de Especialista
O violão perfeito não é o mais caro da loja, mas aquele que permite que a música flua sem que você precise lutar contra a ergonomia ou a tensão do instrumento.
Tipos de Violão por Cordas: Nylon ou Aço?
A primeira grande decisão para a escolha de um violão não é apenas estética, e sim funcional. A escolha entre esse instrumento com cordas de Aço ou Nylon difere não apenas no timbre, mas também na forma que o corpo vai se adaptar e na estrutura do próprio instrumento. As construções, tensões e respostas dinâmicas são completamente distintas.
Característica
Violão de Nylon
Violão de Aço
Material da Corda
Polímeros (Nylon) e bordões banhados a prata
Ligas de aço, bronze ou fósforo-bronze
Tipo de Ponte
Amarrador (cordas atadas ao cavalete)
Pinos de retenção (travamento sob pressão)
Largura do Braço
Mais largo (facilita aberturas complexas)
Mais estreito (facilita agilidade e pegada)
Ambiente Ideal
Estúdio, ambientes intimistas e clássicos
Palcos, igrejas e bandas completas
Violão de Nylon: A Doçura e a Tradição
Ciolão de Nylon seis cordas
O violão de nylon é o pilar principal da música Brasileira e Erudita. Sua construção é mais leve e delicada porque as cordas neles presentes exercem uma pressão que varia entre 35kg a 45kg.
Perfil Sonoro: Som quente, aveludado e com foco nas frequências médias. É um timbre que convida ao intimismo.
Ergonomia e Toque: As cordas são mais macias e danificam menos as pontas dos dedos, sendo a recomendação inicial mais adequada para quem está começando. Durante o aprendizado, dores serão sentidas, mas menos caso fosse com cordas de aço.
Indicação de Estilo: Adequado principalmente para Música Clássica, MPB, Bossa Nova, Samba, Flamenco e Choro. Ele favorece o uso dos dedos (dedilhado) em vez da palheta.
Violão de Aço: Projeção e Brilho Metálico
Violão de aço seis cordas
O violão de aço consegue uma projeção sonora e volume muito maior. Ele é composto de cordas de aço, cujo a tensão pode passar dos 75kg. Ele é projeto com uma construção cujo estrutura interna é muito mais robusta além de ter um tensor de ação dupla no braço.
Perfil Sonoro: Brilhante, vívido, agudos claros e graves profundos. Possui um sustain (duração da nota) muito maior que o do nylon.
Ergonomia e Toque: Exige mais força da mão esquerda e, invariavelmente, causará calosidade mais rápido. O braço costuma ser mais estreito, facilitando acordes com o polegar.
Indicação de Estilo: É o padrão para Pop, Rock, Sertanejo, Country e Blues. Ele responde excepcionalmente bem ao uso da palheta e a técnicas percussivas.
Tipos de Violão por Materiais: Do Laminado à Fibra de Carbono
Os materiais utilizados na construção do violão definem a qualidade, durabilidade e o timbre do instrumento. Hoje no mercado existem três principais tipos de materiais utilizados na construção desse instrumento.
Tipo de Material
Longevidade Tonal
Resistência ao Clima
Custo-Benefício
Laminado
Estática (não evolui)
Alta (muito robusto)
Excelente para iniciantes
Tampo Maciço
Evolui com o tempo
Moderada (requer cuidado)
O melhor “primeiro violão sério”
Totalmente Maciço
Alta evolução sonora
Baixa (exige umidificador)
Investimento profissional
Fibra de Carbono
Eterna e imutável
Total (imune ao clima)
Ideal para viagem e outdoor
Violões Laminados (Plywood)
Tronco de madeira, violão e madeiras sólidas e materiais para o laminado
Madeiras laminadas é o material mais utilizado para instrumentos de entrada. O corpo e o tampo são feitos de camadas de madeira coladas entre si, geralmente com uma folha estética por cima.
Vantagens: Esse material torna o violão mais resistente a umidade e temperatura. É ideal se você viaja muito ou mora em regiões de clima instável, um laminado aguenta o tranco sem rachar facilmente.
Timbre: Por ser um material rígido, o som vai permanecer o mesmo hoje e daqui dez anos.
Violões Maciços (Solid Wood)
Tronco de madeira, violão e madeiras sólidas
A Madeira Sólida é considerada um material superior na lutheria séria. O violão pode ser construído todo com madeiras maciças (All-solid) ou apenas o tampo (Solid-Top).
O Fenômeno do Envelhecimento: Madeiras maciças (como o Spruce ou o Cedro) possuem células que, com o passar dos anos e a vibração constante, se acomodam. Isso faz com que o violão melhore sua qualidade sonora, ganhando harmônicos e volume com o tempo.
Sensibilidade: Exigem cuidados com a hidratação e a temperatura. Um tampo maciço é um organismo vivo que respira, pois sem o devido cuidado, ele pode sofrer retrações e rachaduras.
Fibra de Carbono e Materiais Compostos
Pedaço de carbono, placas de fibra de carbono e violão de carbono
É um material novo que surgiu nos últimos anos. Marcas como Lava Music e Enya trouxeram o grafite e a fibra de carbono para esse instrumento.
Durabilidade: São muitos resistentes a umidade. Independente do nível de umidade ou temperatura, a afinação e a estrutura permanecerão intactas.
Timbre Moderno: O som é projetado, cristalino e muito consistente, embora possa não parecer como um som orgânico da madeira.
Tipos de Violão por Shape (Formato): O Design Define o Som
O formato do corpo (shape) tem um papel fundamental para definir não somente o design, mas também o som. O tamanho e a profundidade da caixa de ressonância determinam como o ar se move lá dentro. Levar apenas em conta a aparência do instrumento e escolher, por exemplo, um com o corpo grande demais pode prejudicar quem tem mãos pequenas, ou um corpo muito pequeno pode sumir em meio a uma banda barulhenta.
Formato (Shape)
Projeção de Graves
Conforto de Pegada
Melhor Técnica
Dreadnought (Folk)
Alta
Moderado (Grande)
Palhetada / Strumming
Jumbo
Máxima
Baixo (Volumoso)
Acompanhamento / Ritmo
Auditorium (GA)
Média/Alta
Alto (Versátil)
Híbrido (Dedo e Palheta)
Parlor / Concert
Baixa
Máximo (Pequeno)
Fingerstyle / Dedilhado
Dreadnought (O Famoso “Folk”)
Violão dreadnougth
É o formato mais popular do mundo para violões de cordas de aço. Foi projetado para ter volume por conta de ter ombros quadrados e uma cintura larga.
Perfil Sonoro: Graves potentes e médios e agudos levemente recuados. Proporciona um som cheio que preenche o ambiente.
Para quem é: Ideal para quem toca com palheta, faz acompanhamento vocal forte ou toca estilos como Sertanejo, Rock e Country.
Jumbo: O Gigante Acústico
Violão jumbo
É o maior violão de todos em termos de tamanho. Sua base larga gera uma massa sonora absurda.
Perfil Sonoro: Graves profundos que você sente vibrar no peito e médios e agudos equilibrados por conta da cintura mais estreita.
Para quem é: Músicos que precisam de máxima projeção acústica sem amplificação.
Parlor e Grand Concert: Intimismo e Conforto
Violão Parlor Grand Concert
Enquanto há violões com corpo grande ou extremamente grande, há também os tipos de corpo pequeno. Antigamente esse tipo de violão era mais utilizado em viagens, entretanto hoje em dia é mais utilizado para o Fingerstyle.
Perfil Sonoro: Não tem o mesmo volume e grave dos que tem corpo maior, entretanto os médios e agudos são muito mais realçados e a separação de notas é muito mais impecável. Com isso o som se torna mais doce.
Para quem é: Recomendado para pessoas com estatura menor, quem toca muito tempo sentado no sofá ou quem busca um timbre delicado para gravações.
Auditorium e Grand Auditorium (GA)
Violão Grand Auditorium
Ele é um meio termo que consegue a profundidade de um violão Folk e a cintura mais fina de um modelo de concerto. Foi popularizado pela marca Taylor.
Perfil Sonoro: Equilibrado o suficiente para dedilhar e robusto o suficiente para utilizar palheta.
Para quem é: O músico versátil que só quer ter um único violão para tudo.
O Cutaway: O “Corte” da Liberdade
Violão com Cutway
O Cutaway (corte) é uma curvatura existente no ombro inferior do violão.
Função Técnica: Permite que a sua mão alcance com facilidade as notas mais agudas da escala (acima da casa 12). Esse corte não altera drasticamente a qualidade do som.
Tipos de Violão por Quantidade de Cordas: Além das Seis Notas
O violão de seis cordas é o mais comum e mais utilizado, entretanto existem variações com um número maior de cordas. Para que esse instrumento suporte cordas a mais, é necessário alterações em sua construção e estrutura como um todo de forma a suportar uma maior tensão das cordas. O resultado de ter cordas a mais propicia uma nova forma de compor e arranjar, além de uma percepção diferenciada de graves e agudos.
Quantidade de Cordas
Principal Uso
Diferencial Sonoro
Complexidade
6 Cordas
Geral / Todos os estilos
Equilíbrio e Versatilidade
Baixa
7 Cordas
Choro, Samba e Jazz
Graves extras para linhas de baixo
Média
12 Cordas
Rock, Folk e Gospel
Som “cheio” e brilhante (Coro)
Alta (Tensão)
8 a 11 Cordas
Erudito e Experimental
Alcance orquestral e de piano
Máxima
O Padrão de 6 Cordas
Violão de nylon Seis cordas
É o modelo mais equilibrado entre ergonomia e alcance tonal, além de ser encontrado em praticamente todas as lojas de música e o padrão para quem está iniciando o aprendizado. Se você busca versatilidade absoluta, o caminho começa aqui.
O Violão de 7 Cordas: O Coração do Samba e do Choro
Violão de Nylon Sete Cordas
Surgiu no Brasil no início do século XX e tem um pouco de influência Russa e Cigana. Muito comum na música Brasileira, pois a sétima corda funciona como um “baixo” extra. Essa corda a mais geralmente é afinada em Dó ou Si.
Função Técnica: Permite realizar com mais facilidade e abrangência as famosas frases de baixo (baixarias) que preenchem a harmonia sem a necessidade de um baixista.
Construção: O braço é ligeiramente mais largo para acomodar a corda extra sem sacrificar o espaçamento entre elas.
Violões de 8 a 11 Cordas (Alto Guitar e Multi-scale)
Violão Nylon de Oito CordasViolão Nylon de Onze Cordas ou Alto Guitar
Os tipos de violões dessa categoria são de Alta Perfomance e Música Erudita. Existem alguns tipos de variações desse instrumento com um número maior de cordas.
8 Cordas: Permite tocar baixos profundas e melodias agudas simultaneamente. Esse tipo de violão também possibilita aos músicos utilizar o alcance de um piano.
11 Cordas (Alto Guitar): Famoso por ser usado para tocar transcrições de alaúde da Renascença e do Barroco. Possui uma sonoridade harpejada e uma tessitura que cobre quase todo o espectro de uma orquestra de câmara.
Tipos de Violão por Performance: Do Acústico Puro ao Silent
A amplificação é um dos fatores que define como o som do violão chega aos ouvidos do público. Nem todo violão bonito soa bem em um sistema de PA (Public Address), e nem todo violão tecnológico tem uma alma acústica prazerosa para tocar desplugado.
Quantidade de Cordas
Principal Uso
Diferencial Sonoro
Complexidade
6 Cordas
Geral / Todos os estilos
Equilíbrio e Versatilidade
Baixa
7 Cordas
Choro, Samba e Jazz
Graves extras para linhas de baixo
Média
12 Cordas
Rock, Folk e Gospel
Som “cheio” e brilhante (Coro)
Alta (Tensão)
8 a 11 Cordas
Erudito e Experimental
Alcance orquestral e de piano
Máxima
Violão Acústico (Puro)
Violão Nylon de Seis Cordas Levemente de perfil
É o violão em sua forma mais primitiva e orgânica. Ele não possui captadores, controles ou furos para cabos.
A Experiência: Todo o som vem da vibração da madeira e da projeção da caixa de ressonância.
O Desafio no Palco: Para amplificar esse tipo de instrumento, você precisará utilizar um microfone externo em um pedestal. Isso entrega a maior fidelidade tonal possível, mas limita sua movimentação e tem grandes chances de causar feedback (microfonia).
Violão Eletroacústico (O Padrão do Mercado)
Violão Nylon de Seis Cordas Elétrico com Cutway levemente de perfil
É um violão acústico que já vem de fábrica no mínimo com um pré-amplificador, captador (geralmente um Piezo sob o rastilho) e um conector fêmea P10.
Versatilidade: Permite tocar em qualquer lugar, com ou sem cabos plugados em amplificadores ou mesas de som.
Performance: Modelos com corpo Cutaway (aquele corte lateral) são muito comuns em violões elétricos, pois facilitam os solos nas casas agudas durante as apresentações.
Violões Vazados (Semi-Acústicos e Slim)
Violão Nylon de Seis Cordas Eletrico do tipo flat
Estes modelos possuem caixas de ressonância muito finas ou quase inexistentes, focadas totalmente no uso plugado.
Conforto: São extremamente leves e ergonômicos, lembrando a pegada de uma guitarra elétrica.
Controle de Microfonia: Como não possuem uma grande caixa de ar para ressonar, eles são imunes à microfonia, permitindo tocar em volumes altíssimos no palco sem aquele “apito” insuportável.
Violão Silent (Vazado e Sem Corpo)
Violão de Seis Cordas Elétrico do tipo silent ou vazado
Os violões Silent é um tipo surgido nos anos 2000 e popularizado pela Yamaha sendo uma opção bem tecnológica e moderna. O corpo é formado apenas por um contorno (aro) destacável.
Estudo e Viagem: Como não tem caixa de ressonância, ele quase não emite som acústico. Você toca com fones de ouvido e sente um som de estúdio de altíssima qualidade.
Visual Futurista: No palco, ele chama a atenção pelo design minimalista e pela pureza do sinal elétrico, sendo perfeito para quem busca um timbre limpo e moderno.
Tipos de Violão por Tamanho: Encontrando a Ergonomia Perfeita
Tipos de violão por tamanho
A nomenclatura dos tamanhos de violão utiliza frações (4/4, 3/4, etc.), mas engana-se quem pensa que um violão 1/2 tem metade do tamanho de um padrão. Essas medidas na verdade referem-se ao comprimento da escala desse instrumento (distância entre a pestana e o rastilho) e ao volume total da caixa.
A escolha do tamanho deve ser feita pensando a anatomia de quem vai utilizar o instrumento, porque caso a escolha seja feita de forma errada, ela pode causar desde dores no ombro até vícios de postura difíceis de corrigir.
Tamanho
Idade Sugerida
Altura do Músico
Objetivo Principal
4/4
13+ anos
Acima de 1,50m
Performance padrão e volume máximo.
7/8
11-15 anos / Adultos
1,45m a 1,55m
Conforto ergonômico e mãos pequenas.
3/4
8-12 anos
1,30m a 1,50m
Estudo inicial e violão de viagem.
1/2
5-8 anos
1,10m a 1,30m
Musicalização infantil precoce.
Tamanho 4/4 (Padrão Adulto)
Esse é o tamanho de violão padrão para adultos e jovens a partir dos 13 ou 14 anos de idade e pessoas com estatura de 1,50m.
Foco: Máxima ressonância e projeção sonora.
Desafio: Para quem tem mãos pequenas ou estatura baixa, o bojo largo pode ser desconfortável para o braço direito.
Tamanho 7/8 (O Violão “Crossover” ou Feminino)
Esse violão é um pouco menor que o padrão 4/4. Ele é ideal é para quem busca um som mais parecido com o violão de tamanho padrão além de proporcionar uma pegada mais ágil.
Indicação: Muito procurado por mulheres, adolescentes ou músicos que possuem mãos pequenas. Ele reduz a tensão necessária para abrir acordes complexos.
Tamanho 3/4 (Violão de Estudo e Viagem)
É o violão ideal para crianças entre 8 e 12 anos, conhecido como o “Violão de Estudante”. Ultimamente pelo seu tamanho menor tem ganhado o público dos viajantes.
Versatilidade: Marcas como Taylor (Baby Taylor) e Martin (Little Martin) provaram que um violão 3/4 pode ter um som profissional, sendo perfeito para levar no avião ou no carro sem ocupar espaço.
Tamanho 1/2 e 1/4 (Infantil)
Estes são instrumentos específicos para o início da musicalização (crianças de 5 a 8 anos).
Construção: São extremamente leves e com cordas de baixíssima tensão para não machucar os dedos em desenvolvimento.
Tipo por Largura de Pestana (Nut) e Escala: O DNA do Conforto
Tipos de violão por largura da escala
A escala e a largura da pestana são os dois elementos principais para definir as coordenadas geográficas no braço desse instrumento. Eles definem o espaço que seus dedos têm para navegar e a força que você precisa aplicar para tirar um som limpo.
Medida Técnica
Perfil do Músico
Benefício Principal
Medida Técnica
Nut Estrito (43mm)
Guitarristas / Mãos pequenas
Agilidade e pegada de polegar.
Nut Estrito (43mm)
Nut Largo (52mm)
Concertistas / Dedilhados
Limpeza e precisão em notas isoladas.
Nut Largo (52mm)
Escala Longa
Músicos de Palco / Afinações baixas
Estabilidade de afinação e projeção.
Escala Longa
Escala Curta
Iniciantes / Conforto clínico
Menos esforço para pressionar as cordas.
Escala Curta
A Largura da Pestana (Nut Width)
A pestana (ou nut) é aquela peça de osso ou plástico no início do braço. Sua largura define o espaçamento entre as cordas.
43mm (Padrão Aço/Folk): É a medida mais comum em guitarras elétricas e violões de aço. Facilita o alcance do polegar para acordes e a agilidade em solos e bases de Rock e Pop.
45mm a 48mm (Crossover): Considerado o meio termo entre 43mm e 52mm. Ideal para quem toca Fingerstyle e precisa de um pouco mais de espaço para não esbarrar nas cordas vizinhas durante dedilhados complexos.
52mm (Padrão Clássico/Nylon): O braço largo tradicional. Essencial para a música erudita e o Choro, onde a clareza de cada nota e acordes são a regra.
O Comprimento da Escala (Scale Length)
Tipos de violão por comprimento da escala
O comprimento da escala altera a física da tensão das cordas e o impacto disso no violão influencia diretamente no conforto (tocabilidade), timbre e resposta do instrumento.
Escala Longa (25.5″ / 650mm): Oferece maior tensão e um brilho metálico mais acentuado. É o padrão que garante graves definidos e notas que projetam mais longe.
Escala Curta (24.75″ / 628mm ou menos): As cordas ficam mais macias sob os dedos. É a escolha perfeita para quem sofre com dores nas articulações ou busca um timbre mais doce e menos agressivo.
Multi-Scale (Fanned Frets): Uma inovação que vemos muito em 2026. Os trastes são inclinados para que as cordas graves sejam longas (mais tensão) e as agudas curtas (mais maciez).
Conheça nossos outros guias
Esperamos que esse guia dos tipos de violão tenha lhe ajudado. Veja abaixo outros guias que podem lhe ajudar a entender melhor o violão como um todo, o que é essencial para quem deseja ou já está aprendendo esse belo instrumento e música como um todo.