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Categoria: Experiência com o Violão

  • Experiência com o Violão Di Giorgio Estudante 18 de 1988

    Experiência com o Violão Di Giorgio Estudante 18 de 1988

    Resumo

    O violão Di Giorgio Estudante 18 foi um dos mais conhecidos por muitas décadas no Brasil. Com um modelo que tenho sobre meus cuidados, do ano de 1988, vou desenvolver uma série de conteúdos relevantes tanto em aspectos gerais quanto específicos da música e do aprendizado nesse instrumento para compartilhar essa experiência com o público. Conheça nesse artigo as características e impressões sobre ele e por que irei utilizá-lo.

    Introdução: O que é o Di Giorgio Estudante 18 de 1988?

    Violão Di Giorgio Estudante 18 de 1988
    Violão Di Giorgio Estudante 18 de 1988

    O violão Di Giorgio Estudante 18 (conhecido hoje como EST-18) foi um dos mais vendidos no Brasil da marca por cerca de pelo menos 60 anos, tendo começado a ser fabricado em meados dos anos 60.

    Como é um instrumento que foi fabricado por um longo período de tempo, é difícil afirmar se os materiais e processos utilizados em um modelo dos anos 80 eram exatamente os mesmos dos modelos fabricados nos anos 2000.

    Desde minha infância até os dias de hoje sempre tive contato com algum instrumento da Di Giorgio. Desde 2022 tenho um sobre meus cuidados dessa marca, o modelo de violão Di Giorgio Estudante 18 de 1988. Ele pertence a uma pessoa querida que o arrematou em um leilão aproximadamente no ano de 2015. Não sei dizer qual é a história dele anterior a esse período, uma vez que ele tem quase 50 anos de existência.

    Tenho praticado e estudado violão de forma séria e regular há pelo menos dois anos. Utilizo esse exemplar às vezes e agora pretendo documentar minha experiência de uso. Por ser antigo e ter passado de mão em mão, seu estado geral de conservação parece bom. Não é um dos violões mais confortáveis de tocar por conta do braço estar ligeiramente empenado para a frente e não ter um tensor, mas mesmo assim é possível aprender muito nele.

    Como é esse Di Giorgio Estudante 18 atualmente

    O estado geral de conservação desse violão está minimamente adequado, pois é possível perceber que esse instrumento talvez tenha tido alguma colagem no cavalete, além de que aparentemente suas tarraxas e borboletas parecem originais e sofrem com as marcas do tempo como a ferrugem.

    A última vez que foi feita uma regulagem nele por um luthier foi no ano de 2023. Naquela ocasião, a altura da ação das cordas estava muito alta por conta do empenamento do braço para a frente, e o que foi possível fazer para corrigir isso é baixar a altura do rastilho e da pestana, uma vez que esse instrumento não tem tensor.

    Com esses ajustes, ainda que a altura da ação das cordas não tenha alcançado o ideal, mas ele ficou um pouco mais confortável para tocar. Para músicas mais simples é possível tocar nele com mais facilidade. Agora talvez para peças ou músicas que exigem notas e pestanas da casa cinco em diante pode ser um pouco mais trabalhoso para adaptar a execução.

    Características do Di Giorgio Estudante 18 de 1988

    Por ser um violão antigo, pode ser difícil descrever com detalhes as partes, materiais e sua construção. No entanto, veja o que foi possível obter de informações sobre esse modelo desse ano:

    Construção

    Esse é um violão construído no formato clássico e para suportar cordas de nylon. Sua construção é satisfatória em termos estruturais e consegue mantê-lo com afinação minimamente estável mesmo tendo quase cinquenta anos.

    Isso é importante porque, uma vez que não conheço a história por completo, é necessário destacar que durante sua existência, esse instrumento pode ter sofrido alguns tipos de avarias causadas por descuidos ou pela ação do tempo.

    Acabamento

    O acabamento na estética utiliza um verniz brilhante no tampo, laterais, fundo, braço e cabeça para proteger contra eventuais danos simples. Há algumas marcas de arranhados no violão mas nada que o prejudique.

    Tampo

    Tampo do Di Giorgio Estudante 18 de 1988
    Tampo do Di Giorgio Estudante 18 de 1988

    Ao que tudo indica, o tampo é laminado e composto da madeira nobre Pinho do Oregon, muito usada em violões clássicos de entrada e intermediários pela Di Giorgio na época.

    Laterais e Fundo

    Lateral e fundo do violão
    Lateral e fundo do violão

    Na década de 1980 para violões de entrada e intermediários a Di Giorgio utilizava nas laterais e fundo Jacarandá, Pau-Ferro ou Louro Faia. Provavelmente essas partes podem ser de algum tipo de Jacarandá laminado.

    Braço, Cabeça e Tarraxas

    Cabeça do Violão
    Cabeça do Violão
    Braço e Cabeça do Violão
    Braço e Cabeça do Violão

    Não é muito espesso e foi construído provavelmente em Cedro. A cabeça tem uma lâmina com um desenho esculpido feito de Jacarandá. As tarraxas originais desse modelo geralmente são do tipo niqueladas ou cromadas (material metálico base), com pinos grossos e botões em madrepérola sintética (plástico rígido) ou metal. Acredito que por estarem de alguma forma enferrujadas e desgastadas, essas peças ainda podem ser as originais.

    Escala e Trastes

    Escala do violão
    Escala do violão

    As escalas para violões dessa época ou eram de Jacarandá ou Pau-Ferro com 19 trastes em alpaca. Pela aparência acredito que seja Pau-Ferro. A largura da escala é de 52mm, a mais recomendada para dedilhados no violão clássico.

    Tocabilidade e Som

    Por não ter um tensor para a regulagem do braço, a tocabilidade não é a mais apropriada. Mas, após a última regulagem, ele ficou bem mais confortável para tocar. A qualidade do som é bem equilibrada entre os agudos e graves. Para quem está iniciando ou é intermediário nesse instrumento, é um som bom o suficiente para conseguir entender as notas.

    Percepção Geral

    Se esse instrumento dessa série fosse fabricado nos dias de hoje com essas mesmas características, seria perfeitamente recomendado adquiri-lo para estudos. Ele atende a todas as características necessárias de um violão para iniciantes, clique aqui para saber quais são. Conheça aqui, também quais são as principais partes e funções de forma mais detalhada do violão.

    O que me chamou atenção nesse violão antigo

    O que me chamou a atenção nesse instrumento acredito ser o que chamaria a atenção para qualquer outra pessoa que procura aprender algum desse tipo. Se existe a possibilidade de poder praticar em mais de um violão de forma regular ou esporádica (às vezes vai na casa de um amigo ou parente), por que não fazer isso? Também levo em consideração o fato de ele ser antigo e ter madeiras envelhecidas, para poder validar e sentir a experiência de praticar nele.

    Por que decidi voltar a usar esse violão

    Pessoa tocando o violão Di Giorgio Estudante 18 de 1988
    Pessoa tocando o violão Di Giorgio Estudante 18 de 1988

    Alguns fatores considero importantes para começar a voltar a tocar nesse violão Di Giorgio Estudante 18 antigo regularmente na sua condição atual e desenvolver essa experiência contínua. Os principais fatores que considero são:

    Aprendizado e Evolução

    Descobrir como executar os exercícios, as peças e as músicas que venho praticando em um violão e sentir, apesar de não ter o mesmo conforto do outro que tenho, até onde é possível evoluir e quais serão os desafios nele na sua condição atual.

    Uso Paralelo com outro Violão

    Descobrir as diferenças no timbre, projeção sonora e como adaptar para tirar o melhor som em um instrumento mais antigo além de poder comparar essa experiência com a do outro violão mais novo e moderno que tenho.

    Experiência

    Poder tocar em um violão com quase cinquenta anos de existência é algo interessante por si só. Durante esse período, ele provavelmente passou pela mão de várias pessoas e ainda continua funcionando. Isso vale mais do que ter o timbre e projeção sonora mais limitados e não ser um instrumento dos mais confortáveis que já toquei por conta de não ter o tensor no braço.

    O que pretendo documentar

    Tudo de relevante que eu praticar nesse instrumento em termos de exercícios, músicas, peças ou acontecimentos relevantes pretendo documentar nessa série e compartilhar essa experiência.

    Conclusão

    O Di Giorgio Estudante 18 foi um dos violões para iniciantes mais fabricados no Brasil por décadas e tenho sobre os meus cuidados um modelo desses de 1988. Irei documentar nessa série todos os acontecimentos relevantes gerais e em relação à música e ao aprendizado nesse instrumento, compartilhando essa experiência contínua.

    Conforme visto, um instrumento desse tipo pode durar por décadas quando bem construído. Se deseja conhecer a história do violão moderno e dos violões antigos de forma geral, clique aqui para saber mais sobre nosso guia a respeito.