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Categoria: Partes do Violão

  • Violão Trastejando: O que fazer? Quando ajustar?

    Violão Trastejando: O que fazer? Quando ajustar?

    Resumo

    Se estiver com seu violão trastejando (fazendo um “bzzz”), na maioria dos casos isso tem solução e não é um problema grave. Esse comportamento pode ser causado por regulagem, altura das cordas ou até pelo braço do instrumento.

    É um problema comum e causado e resolvido geralmente com soluções simples mas que exigem um nível de conhecimento de entrada um pouco maior, sendo recomendado para isso que um luthier resolva. Nesse conteúdo você vai aprender como identificar, o que fazer, quando ajustar e quando levar a um luthier seu violão para solucioná-lo.

    Introdução: O que é o violão trastejando

    Pessoa inspecionando seu violão olhando rente do corpo para a cabeça
    Pessoa inspecionando seu violão olhando rente do corpo para a cabeça

    O trastejar no violão significa o fenômeno da vibração de uma ou mais cordas esbarrarem nos trastes (divisões de metal da escala no braço) quando tocadas. Isso pode ocorrer independente se a corda foi tocada solta ou com alguma casa pressionada. É um problema comum o qual pode ser causado por conta de regulagem, técnica ou desgaste do traste, resultando em um som metálico indesejado, frequentemente chamado de zumbido ou “fret buzz”.

    Baseado em minha experiência prática como estudante e análise técnica desse tipo de instrumento, os riscos imediatos de não corrigir o trastejamento no violão são o prejuízo na qualidade do timbre e projeção do som do instrumento. Entretanto, dependendo do que causou o trastejar das cordas, danos maiores podem surgir no médio a longo prazo na estrutura física do instrumento além de poder prejudicar em muito a tocabilidade do mesmo. De forma geral, no entanto, esse problema é relativamente comum e as soluções não costumam ser complexas.

    Como saber se o violão está trastejando

    Existem formas simples e práticas de saber se as cordas do violão estão ou não trastejando. Todos que praticam esse instrumento independente do nível vão conseguir verificar se isso está ou não ocorrendo utilizando as formas a seguir.

    Tocar as cordas soltas e em todas as casas

    Tocando todas as cordas soltas do violão
    Demonstrando tocar todas as cordas soltas do violão

    É um método bem simples, a primeira coisa a ser feita é para cada uma das cordas:

    • Toque essa corda solta em uma intensidade média para forte e ouça o som atentamente.
    • Toque essa corda pressionando da 1° a última casa do violão em uma intensidade média para forte e também ouça o som atentamente para cada vez que a tocar.

    Se acontecer de ouvir, para cada vez que tocar a corda em uma posição, um som metálico, algo como “bzzz”, e houver uma perda do sustain, isso indica que ela está trastejando. Isso pode acontecer tanto quando a corda é tocada solta (sem ter uma casa pressionada) quanto em alguma casa específica do braço do violão.

    Demosntrando tocar cada casa de cada corda do violão
    Demosntrando tocar cada casa de cada corda do violão

    Observação

    Ao tocar a corda da 1° a última casa no braço do violão, para cada vez que pressionar, lembre-se de colocar a ponta dos dedos o mais próximo possível do traste a frente, nem em cima, nem muito atrás, pois isso pode acabar fazendo com que a vibração da corda encoste no traste sem necessidade.

    Verificar visualmente as cordas

    Trastes desgastados do violão
    Trastes desgastados do violão

    Você pode verificar visualmente também para ver se há ou não algum indicativo das cordas trastejando no braço do violão. Para fazer isso, você pode:

    Verificar os Trastes: Segure o violão de uma forma que você consiga ver como estão os trastes (barras de metal na escala) do instrumento. Se alguns desses trastes estiverem com irregularidades como desgastes ou desnivelados (quando há pelo menos um traste mais alto ou baixo que o outro), isso pode causar esse tipo de problema.

    Altura das Cordas no Meio do Violão: Verifique ou meça a altura da ação das cordas na região mais ao meio possível do violão (geralmente casa 12 do braço em violões de nylon e casa 14 nos de aço). Se estiverem abaixo ou muito abaixo do mínimo, isso também pode fazer com que elas trastejem.

    Altura das Cordas no Meio do Braço do Violão: Pressionando a corda na casa 1 e a casa 12, verifique ou meça a altura da ação das cordas na região das casas 6 a 8. A corda nessa região deve ficar levemente distante do traste, pois se encostar totalmente, é sinal de que poderá acontecer esse tipo de ruído na primeira metade do braço.

    É importante considerar que existem medidas mínimas padrões que à altura das cordas devem ter no meio do violão (casas 12 ou 14) e na primeira metade do braço (casas 6 ou 8). Essas medidas podem variar conforme alguns contextos de uso do instrumento e o tipo do mesmo, mas no geral para a maioria das pessoas e evitar o trastejamento segue o padrão abaixo.

    Altura Mínima das Cordas por Tipo de Violão

    Exemplo de altura minima para as cordas do violao de nylon na casa 12
    Exemplo de altura minima para as cordas do violao de nylon na casa 12

    A tabela abaixo demonstra a altura mínima das cordas em relação a parte mais alta do traste no meio do violão (casas 12 ou 14 conforme o tipo).

    Tipo de ViolãoCorda grave MI (6ª)Corda aguda MI (1ª)
    Aço2,0 – 2,5 mm1,5 – 2,0 mm
    Nylon3,0 – 3,5 mm2,5 – 3,0 mm

    A amplitude da vibração das cordas nos violões de aço é menor que comparado ao de nylon, logo a altura da ação das cordas pode ser um pouco menor. Na média a altura pode ser 2,25 mm na 6° corda mais grave e 1,75mm na 1° corda mais aguda. Em violões de nylon por conta da amplitude da vibração das cordas ser maior, a média pode ser 3,25 mm na 6ª corda mais grave e 2,75 mm na 1ª corda mais aguda.

    A média de altura das cordas na sexta casa quando medida corretamente (pressionando a 1° e a 12°) deve ser entre 0,25 mm a 0,5 mm.

    Uma outra forma mais simples de medir a altura das cordas que algumas pessoas recomendam é utilizar uma moeda de cinquenta centavos (R$0,50) nas versões mais novas, a mais grossa das moedas, e coloca-la logo abaixo da casa 12 ou 14 do violão de aço.

    Dica de Especialista

    Para verificar se existe trastejamento, utilize um ou mais dos métodos acima combinados. Para a maioria das pessoas que tocam o violão, principalmente iniciantes, a altura das cordas em relação ao ponto mais alto do traste deve seguir os padrões para que isso não prejudique principalmente o aprendizado no instrumento.

    Por que o violão trasteja?

    Uma vez entendido o que é trastejamento e as formas de descobrir se isso está ocorrendo ou não, é importante entender o porquê. Veja de forma resumida na tabela abaixo as principais causas disso e depois uma explicação mais aprofundada.

    CausaOnde aconteceGravidade
    Cordas baixasBraço todoBaixa
    Trastes irregularesPontos específicosMédia
    Braço empenadoGeralAlta
    Clima ou UmidadeGeralBaixa

    Altura das Cordas Muito Baixas

    Altura minima para as cordas do violao de nylon na casa 12 muito baixas

    Quando as cordas estão com a altura abaixo ou muito abaixo (distância da corda para o ponto mais alto dos trastes) do mínimo necessário, conforme padrões descritos anteriormente, aumenta em muito as chances da amplitude de vibração delas encostar nos trastes. Se causado única e exclusivamente por isso, as soluções possíveis podem ser realizadas através de ajustes no tensor ou na pestana e rastilho.

    Trastes Desgastados ou Irregulares

    Outro exemplo de trastes desgastados do violão
    Outro exemplo de trastes desgastados do violão

    Os trastes do violão podem tendem a serem desgastados no médio a longo prazo à medida que o instrumento vai sendo utilizado. No entanto esse processo pode ser acelerado em muito se não for feito os devidos cuidados de limpeza e conservação do instrumento principalmente após o uso. Os trastes desgastados ou sujos, criam irregularidades facilitando com que a amplitude da vibração das cordas encoste e gere atritos no mesmo.

    De acordo com o nível de desgaste dos trastes, a solução para isso pode ser um pouco mais complexa podendo envolver, por exemplo, uma retífica de trastes, tendo que ser realizadas por um luthier.

    Regulagem Inadequada

    Rastilho do violão muito baixo
    Rastilho do violão muito baixo

    A regulagem inadequada do violão pode ser uma causa do trastejamento porque isso favorece a altura baixa das cordas. Se a pestana estiver muito baixa, isso pode ocorrer principalmente nas primeiras três casas. Se o rastilho estiver muito baixo, isso pode ocorrer mais nas casas do meio para o fim do braço. Se ambos estiverem na altura correta, esse problema pode acontecer ou por conta do desnível em algum traste ou o braço estar desregulado, podendo ser ajustado cuidadosamente regulando o tensor.

    Braço Empenado

    braço com empenamento deixando ele levemente torcido
    braço com empenamento deixando ele levemente torcido

    Pode ser considerado a principal causa do trastejamento do braço do instrumento, porque à medida que o tempo vai passando e as condições de uso e armazenamento, favorecem as distorções e as distâncias irregulares das cordas para os trastes. A solução para esse tipo de problema envolve geralmente ajustes no tensor ou outros tipos de ajustes que o luthier precise fazer caso a gravidade seja maior.

    Empeno para Frente (Embarrigar): Quando o braço empena para a frente em direção às cordas, reduz as chances de trastejamento mas aumenta em muito a altura das cordas e pode causar esse problema em trastes mais altos se o empenamento for irregular.

    Empeno para Trás (alívio excessivo ou lingueta de bambu): Quando o braço empena para trás na direção oposta das cordas, as chances delas trastejarem são maiores porque isso reduz a distância das cordas para os trastes.

    Empeno por Torção (grave): Quando o braço torce pode fazer com que ou as cordas mais agudas ou as mais graves trastejem com mais facilidade. Se esse tipo de torção, considerada mais grave, for acompanhada dos outros tipos de empenamento, a gravidade pode ser ainda maior.

    Clima ou Umidade

    violão sobre o efeito de umidade
    Violão sobre o efeito de umidade

    Se o violão ficar sujeito a variações do clima (muito quente para muito frio e vice-versa) ou umidade (muito seco para muito úmido e vice-versa) de forma constante e sem os devidos cuidados, isso pode gerar deformações nas madeiras (empenamentos), principalmente no braço.

    Violão trastejando tem solução?

    Sim. Na maioria dos casos, o problema tem solução simples e envolve ajustes básicos de regulagem ou manutenção. Por uma questão de conforto, tempo, conhecimento e segurança, é melhor que um luthier faça esses ajustes porque mesmo as soluções mais simples podem exigir um nível de detalhe e cuidado um pouco maior.

    Dá para resolver sozinho?

    Sim, é possível resolver o problema de um violão trastejando sozinho, entretanto é fundamental identificar a causa certa que levou isso a ocorrer. Você pode tentar ajustes leves e cuidadosos no tensor ou trocar as cordas caso a causa sejam essas.

    Se isso não resolver, pode ser necessário um pouco mais de conhecimento e técnica apropriada para identificar o problema e ainda mais para aplicar a solução, que pode vir desde ajustes simples na pestana e rastilho até o desempenamento do braço, o que pode ter que ser feito por um luthier com mais experiência.

    Quando levar ao luthier

    Quando perceber que mesmo após você ter realizado alguns ajustes leves com cuidado (tensor e troca de cordas) esse problema continua ocorrendo. Caso você também não tenha tempo para investigar a causa, não consegue identifica-la ou percebe que envolve um problema mais grave como o braço ou os trastes. Esses são todos os motivos que podem fazer você levar o violão para o luthier.

    Como evitar o trastejamento no violão

    Luthier verificando violão

    Com soluções simples é possível evitar que as cordas do violão trastejem. São elas:

    Manutenção Periódica: Realizar a manutenção do instrumento conforme o uso (a cada seis meses, doze meses, dois anos). Quanto mais praticá-lo, menor o tempo para levá-lo para manutenção, quanto menos, maior o tempo, até porque o desgaste será menor

    Armazenar Corretamente: Procure armazená-lo em seu estojo ou capa e transportá-lo corretamente sempre se atentando a variações bruscas na umidade e temperatura

    Limpar Corretamente: Após terminar sua sessão de estudos ou ensaios no instrumento, limpe-o corretamente, em especial os trastes e as cordas para evitar que as sujeiras e suor da pele se acumulem

    Comprar um Instrumento Minimamente de Qualidade: Procure adquirir um instrumento cuja qualidade de construção seja minimamente satisfatória para evitar problemas principalmente de empenamento do braço

    Consequências do violão trastejando

    Pessoa desmotivada para tocar violão
    Pessoa desmotivada para tocar violão

    As consequências das cordas do violão trastejarem são negativas para todos os praticantes desse instrumento, não importa seu nível de habilidade no mesmo, mas muito maior para os iniciantes. As principais consequências são:

    Dificuldade de aprendizado: Quando as cordas trastejam, atrapalham o iniciante de conseguir:

    • Identificar o som corretamente das notas
    • Aplicar nelas a devida intensidade de força no ataque
    • Fazer com que as notas durem o tempo que precisam durar

    Qualidade e Projeção do Som ruim: Os ruídos (bzzz) ao tocar as cordas reduzem a projeção e afetam o timbre das notas no instrumento além de poder prejudicar a entonação do violão

    Desmotivação: Pesa negativamente, principalmente para o iniciante, porque um violão que tem a projeção, entonação e qualidade do timbre prejudicados desmotivam em muito quem toca nele

    Minha experiência pessoal

    Quando fui tocar com um violão que tinha algumas cordas em determinadas casas trastejando mais ao início de meu aprendizado, percebi que esse tipo de ruído estava afetando negativamente o tempo de duração que uma nota precisava ter dentro de um compasso da música. A nota dessa voz mais grave na música que eu estava tocando precisava durar o compasso inteiro, mas esse trastejo cortou o som para menos da metade, o que prejudicou em muito a interpretação.

    Tive que levar meu violão ao luthier para que ele fizesse os devidos ajustes. Se fosse o caso de apresentar para o professor de violão ou em um concerto eu não poderia fazer isso com um problema desse tipo no violão.

    Conclusão

    Conforme aqui apresentado, um violão trastejando pode ser tão igual ou tão prejudicial o músico ou a quem o pratica quanto as cordas altas nesse instrumento. Não costuma ser um problema sério, pelo contrário, é muito comum de ocorrer e felizmente as soluções para isso não são muito complexas.

    Esse problema precisa ser resolvido, e apesar de não ser difícil de identificar e suas soluções não serem muito complexas geralmente, requerem um entendimento e técnica mínima para realiza-las. Recomenda-se levar a um luthier caso você tenha tentado algumas coisas simples e o problema se manteve.

    Agora que você entendeu como ocorre o trastejamento no violão, conheça aqui nosso guia explicativo sobre cada parte do violão e a função de cada uma delas. Veja aqui também caso deseje saber o que as cordas altas nesse instrumento causam.

  • Cordas altas no Violão: o que fazer? Quando ajustar?

    Cordas altas no Violão: o que fazer? Quando ajustar?

    Resumo

    Cordas altas no violão geralmente têm solução e, na maioria dos casos, o ajuste é simples. Esse problema pode dificultar o toque, mas pode ser resolvido com regulagem adequada ou ajuda de um luthier.

    A ação das cordas é um conceito que define a distância entre o ponto mais alto da escala (topo do traste), no meio do violão até as cordas. Se a ação estiver alta, isso pode causar problemas não apenas estéticos no instrumento, mas prejudicar a tocabilidade e até mesmo entonação das notas no instrumento. Felizmente no geral não é um dos problemas mais graves, mas precisa ser resolvido.

    Introdução: O que são cordas altas no violão

    No violão, um conceito extremamente importante e fundamental para entender é a ação das cordas, cujo significado é a distância entre as cordas e o ponto mais alto da escala (topo do traste), do instrumento. Quando se diz ou percebe que o instrumento está com as cordas altas (ação alta), isso significa que há um distanciamento excessivo entre a corda e o plano da escala (ou os trastes).

    A ação alta das cordas no violão tem implicações que vão além apenas da estética. Isso acaba afetando a física do instrumento, a entonação das notas (o que pode ser muito grave principalmente para quem está iniciando no instrumento) e a ergonomia de quem está praticando (podendo atrapalhar a execução das notas em casas mais adiantes no braço do instrumento além de dores nas mãos sem necessidade).  

    Como saber se as cordas estão altas

    Existem algumas formas de descobrir se as cordas do violão estão ou não com ação alta. A maior parte dessas formas são bem simples e acessíveis a todos que praticam esse instrumento.

    Verificar Visualmente à Altura das Cordas

    homem inspecionando as cordas altas no violão
    Homem inspecionando visualmente a das cordas do violão

    Pegue o seu violão e verifique a distância da corda em relação ao ponto mais alto da escala (topo do traste) a partir da primeira casa até o meio do braço do instrumento. Preste atenção principalmente na 5º, 7º e 12º casa. Quando as cordas começam a ficar com a ação alta, a tendência do braço é empenar de forma concava, pois a distância das cordas em relação ao braço tende a ficar cada vez maior à medida que as casas vão avançando, sendo que a maior distância será sempre a da casa do meio do violão (geralmente a 12° casa).

    Percepção da Altura das Cordas ao Tocar o Violão

    Ao pegar seu violão para tocar ou praticar, você pode utilizar métodos mais simples ou mais complexos, que variam conforme seu estágio no aprendizado desse instrumento e independem se o violão tem cordas de nylon, aço ou tem o braço curto ou mais longo.

    Pestana da Casa 1 até as casas do Meio do Violão

    verificando a altura das cordas do violão fazendo a pestana da casa 1 até a casa 10
    Verificando a altura das cordas do violão fazendo a pestana da casa 1 até a casa 10

    Indicado caso você tenha o conhecimento básico de como fazer pestanas. Comece fazendo uma pestana na mão esquerda da 1° casa do violão até a 10° ou última casa possível até que chegue o mais próximo possível do meio desse instrumento.

    À medida que vai fazendo isso, perceba a quantidade de esforço que a mão esquerda está realizando. Se esse esforço aumentar consideravelmente quanto mais próximo as pestanas das casas do meio, isso pode ser um indicativo de ação alta das cordas.

    Tocar Uma Nota da Casa 1 até as casas do Meio do Violão

    verificando a altura das cordas do violão apertando casa a casa da 1 ate a 12
    Verificando a altura das cordas do violão apertando casa a casa da 1 até a 12

    Esse método é mais simples que o primeiro, e é indicado caso você ainda não saiba realizar pestanas e tenha um conhecimento muito elementar. Este consiste em apertar a nota da 1° casa da nota mais aguda com a mão esquerda do violão até as casas mais ao meio possíveis, geralmente a 12°. Perceba o esforço para realizar isso no decorrer do braço do violão, se aumentar consideravelmente, pode ser um sinal também

    Tocar Músicas que Utilizem Notas e Acordes com Pestana da Casa 5 em Diante

    Esse método é o mais complexo de todos e todo o praticante de violão que se dedique ao instrumento de forma séria e dedicada vai treinar músicas, independente do estilo do repertório, nos quais serão utilizados acordes e notas mais altos, os quais no violão estão presentes principalmente da 5º casa em diante. Para executar essas notas e acordes no centro do braço para o meio do violão, precisará de pestanas.

    Por exemplo, se estiver estudando violão clássico no nível intermediário e avançado, peças como Lágrima de Francisco Tárrega ou Asturias de Isaac Albéniz utilizam pestanas da 5° casa em diante.

    Medir a Altura das Cordas no Meio do Violão

    Medindo a altura das cordas do violão com régua específica
    Medindo a altura das cordas do violão com régua específica

    É um método bastante simples que pode ser feito tanto com uma régua simples que consiga dar a precisão em milímetros ou até mesmo uma mais específica. Para isso você coloca a régua na casa mais ao meio do violão, se for o de nylon será a 12°, e mede a distância até a corda. Se a distância estiver acima de no máximo 4 milímetros, é sinal que a ação está alta.

    Dica de Especialista

    É importante ressaltar que existe uma distância padrão correta e aceitável mínima entre as cordas e o ponto mais alto da escala (traste) para violões de aço e nylon, assim como estilo de música a ser tocada. Essa distância mínima é medida geralmente no meio do violão, aproximadamente na 12° casa conforme o tipo do violão. Com isso, sempre a ação das cordas no meio do violão sempre será um pouco mais alta que nas primeiras casas do braço, mas para saber se é demais ou não, utilize um ou mais dos métodos acima citados para verificar.

    Principais causas das cordas altas

    Mais de um fator pode ser responsável por causar as cordas altas violão, mas logo de início, é importante saber que nem sempre a ação alta pode ser sinal de problemas mais sérios no instrumento. Veja a seguir os principais fatores responsáveis que podem causar isso.

    Pestana Alta

    violão com pestana alta
    Violão com pestana alta

    A pestana alta pode causar um aumento na ação das cordas o qual será visível muito evidente e mensurável nas primeiras casas do violão e ainda mais no meio do instrumento. A percepção de pestana alta é a imediata dificuldade de apertar e fazer as notas e acordes nas primeiras três casas do instrumento, tendo a sensação de que ele está “duro” para tocar. Não é um problema grave, e a solução para isso envolve lixar adequadamente e cuidadosamente a pestana até que ela atinja uma altura de ação correta das cordas.

    Rastilho Alto

    Violão com rastilho alto
    Violão com rastilho alto

    Quanto mais alto for o rastilho maior será a dificuldade de fazer as notas e acordes de pestana da 3° e principalmente 5° casa em diante. Assim como a pestana, não é algo grave e que pode ser resolvido com o rastilho sendo devidamente e cuidadosamente lixado para que alcance a ação das cordas minimamente ideal.

    Braço Empenado

    Violão com braço empenado
    Violão com braço empenado

    Se o problema da ação alta das cordas for por conta de empenamento no braço então provavelmente pode ser um problema um pouco mais sério. O braço empenado pode ocorrer tanto de forma concava ou convexa, sendo causado por fatores como construção ruim, madeira ruim ou mesmo a falta de um tensor, o que era comum em violões mais antigos. Para corrigir isso, pode ser necessário apertar o tensor com cuidado ou levar a um luthier.

    Regulagem de Fábrica

    Violão sendo construido
    Violão sendo construido

    Muitos violões, por padrão, já são vendidos de fábrica com algum grau de regulagem, mas geralmente quando se trata da altura das cordas, a ação tende a ser ligeiramente mais alta. Isso acontece porque muitas pessoas ao adquirir esse instrumento novo, vão levá-lo a um luthier de confiança ou mesmo a própria loja já faz esse serviço.

    Clima ou Umidade

    Violão sofrendo os danos do clima e umidade
    Violão sofrendo os danos do clima e umidade

    O violão é um instrumento orgânico (vivo) por conta de ter madeiras em quase sua totalidade. Por conta disso, ele pode ser muito suscetível a alterações no clima e a umidade, sendo ele construído com madeiras laminadas ou principalmente de madeiras sólidas. Ao guardar esse instrumento, procure mantê-lo em local com umidade e temperaturas controladas principalmente.

    Cordas altas no violão tem solução?

    Sim, felizmente na maior parte dos casos e com ajustes simples de regulagem feitos geralmente por luthier e uma forma adequada de conservar o instrumento. Caso seu violão apresente sinais de problemas sérios como empenamentos no braço e este não tem um tensor, nesse caso aumentam em muito as chances de não ter solução ou se tiver, a complexidade será muito maior.

    Dá para resolver sozinho?

    Sim, é possível resolver o a altura das cordas do braço sozinho, mas pode ser necessário um nível de conhecimento, experiência e precisão um pouco maior. A correção mais simples de regulagem de alturas das cordas no geral que é possível ser feita é o ajuste no tensor, mas mesmo essa exige uma certa precisão e cuidado.

    Quando levar ao luthier

    Se seu violão apresenta sinais de problemas sérios na altura da ação das cordas ou você não tem conhecimentos básicos, experiência e precisão para os ajustes básicos desse tipo de regulagem, como o lixamento de rastilho e pestana, ajuste no tensor e desempenamento de braço, leve a um luthier de confiança realizar esses serviços. Caso contrário você pode acabar danificando o instrumento.

    Como evitar cordas altas no violão

    homem guardando o violão
    Homem guardando o violão

    Não é possível evitar totalmente a ação das cordas do violão aumentarem, porque isso é um processo físico no qual por conta da tensão das cordas, a tendência ao empenamento sempre vai existir. Entretanto, é possível evitar ou retardar isso com as seguintes ações:

    • Escolher um instrumento com uma qualidade mínima de qualidade em sua construção
    • Realizar a manutenção periódica (seis em seis meses, ano em ano, dois em dois anos ou quando necessário) levando o violão a um luthier
    • Armazená-lo e transporta-lo cuidadosamente levando em conta prevenção a quedas, troca extrema de temperatura e umidade do ar

    Consequências das cordas altas

    Todas as pessoas que praticam o violão, independente se por hobby, iniciantes, intermediários, avançados e profissionais vão sentir muito as consequências negativas principalmente no que diz respeito a ergonomia e tocabilidade.

    Iniciantes ou praticantes por hobby vão sentir muito a dificuldade em realizar as primeiras notas e acordes que iniciam principalmente na 5° casa do violão em diante, o que pode prejudicar em muito os movimentos, podendo causar dores a mais nas mãos e nos dedos. Isso pode influenciar e causar a desistência precoce no aprendizado do instrumento.

    Violonistas profissionais, principalmente ao tocar peças que exigem alta performance em velocidade, coordenação e movimentos em casas mais próximas ao meio do violão vão ser prejudicados em muito por conta da ação alta das cordas, mesmo já tendo um preparo físico e preciso maior.

    Minha experiência pessoal

    Em minha experiência aprendendo o violão de forma séria e consistente há pouco mais de dois anos, percebo que ainda que eu não tenha grande experiência com músicas nas casas mais ao centro do instrumento, percebo grande dificuldade de coordenação motora ao tentar realizar notas e acordes nas regiões centrais de um instrumento cujos as cordas estão com a ação alta por conta de seu braço estar empenado.

    Se meu aprendizado dependesse única e exclusivamente desse violão mais antigo, as chances de eu ter desistido precocemente seriam muito maiores.

    Conclusão

    Como foi aqui apresentado, em termos gerais, o problema de ação alta das cordas não costuma ser um problema sério nos violões, principalmente em violões construídos com uma qualidade mínima e que tenham tensor no braço.

    Esse problema precisa ser resolvido até para não atrapalhar o estudo e a prática no violão, e apesar de não ser dos mais graves no geral, as soluções requerem um mínimo de conhecimento, experiência e precisão.

    Uma vez que você entendeu o que é a ação das cordas e como ela pode impactar sua experiência no violão, conheça aqui nosso guia explicativo sobre cada parte do violão e a função de cada uma delas. Veja aqui também o que fazer caso seu violão esteja trastejando.

  • Partes do Violão: Guia Completo da Anatomia, Partes e Funções (2026)

    Partes do Violão: Guia Completo da Anatomia, Partes e Funções (2026)

    Resumo

    Este guia explora as partes do Violão, detalhando, em 2026, como a interação entre componentes, da precisão das tarraxas à estabilidade do tensor, define o timbre e a tocabilidade. Analisamos a função vital do tampo na projeção sonora e as diferenças entre sistemas acústicos e eletrónicos híbridos, oferecendo o conhecimento técnico necessário para realizar manutenções preventivas e escolhas de compra mais assertivas.

    Introdução

    Nesse guia você vai entender o que é preciso saber sobre a anatomia do Violão, suas partes estruturais e o que compõem cada uma delas, além das funções que cada uma desempenha. Esse conhecimento é importante para o músico e as pessoas interessadas de forma geral porque ele vai ajudar tanto à medida que a pessoa vai aprendendo assim como na hora de adquirir um instrumento novo ou usado.

    Anatomia do Violão: Por que entender a função de cada parte?

    Independente se você está começando a tocar o violão ou já um profissional nesse instrumento há muito tempo, entender a anatomia desse instrumento é o que separa um “dono de instrumento” de um verdadeiro músico. Esse instrumento é mais do que apenas um objeto estético, pois ele é uma máquina de engenharia acústica onde cada componente trabalha em um equilíbrio delicado de tensão e vibração.

    Entender a nomenclatura e as partes do violão vai trazer benefícios para você, alguns deles são:

    1. Precisão na Compra: Quando você estiver pesquisando para comprar um instrumento, vai ser possível entender melhor termos que existem nas descrições técnicas como “Rastilho de osso”, “Nut de 43mm”, “Tampo laminado ou sólido”, dentre outras.
    2. Comunicação com o Luthier: Caso o instrumento comece a “trastejar” ou a afinação não segura, você consegue identificar mais ou menos se o problema está nas tarraxas ou na curvatura do braço. Dessa forma você economiza tempo e dinheiro em manutenções.
    3. Preservação do Patrimônio: Entender que o cavalete do violão suporta dezenas de quilos de tensão da tração das cordas pode ajudar você a perceber sinais de descolamento do tampo antes que aconteça um dano irreversível no instrumento.

    A Engrenagem Acústica: Um Sistema de Sistemas

    O violão pode ser dividido em três grandes partes:

    1. Cabeça (Headstock): Responsável por “preparar”, afinar e manter afinado o instrumento
    2. Braço (Neck): Onde uma boa parte da música vai ser executada através da pressão dos dedos nas cordas
    3. Corpo (Body): Onde vai sair o som e a ressonância do mesmo.

    Nos tópicos a seguir, você vai descobrir o papel de cada parte e como cada delas influência na estabilidade dimensional, estrutural e no timbre.

    A Cabeça (Headstock) – O Centro de Afinação e Estabilidade

    cabeça violão de aço
    Cabeça do violão de cordas de aço
    cabeça violão de nylon
    Cabeça do violão de cordas de nylon

    A Cabeça (Headstock) é o ponto de ancoragem onde inicia e é controlado a tensão das cordas. Para manter a afinação do instrumento, a cabeça deve ser capaz de sustentar a pressão das cordas, manter firme as tarraxas e garantir o ângulo de quebra das mesmas sobre a pestana, pois esse é um fator crucial para evitar que aconteça vibrações desnecessários no violão.

    As Tarraxas (Tuners ou Machine Heads)

    As tarraxas são as peças de engrenagem que garantem a precisão da afinação no instrumento. Cada tipo de violão utiliza de forma geral tipos de tarraxas diferentes.

    Os Violões de Nylon de forma geral utilizam tarraxas em linha em suportes de plástico ou metal, com eixos mais grossos para não danificar a corda de nylon. Os Violões de Aço por sua vez utilizam tarraxas individuais, muitas vezes blindadas (lubrificadas internamente), para suportar a alta tração e evitar a entrada de poeira e oxidação nas engrenagens.

    Para verificar se essas peças são de boa qualidade, independente do tipo do violão, deve-se levar em conta os seguintes aspectos:

    Movimento Suave e Firme

    Ao girar a borboleta (botão) da tarraxa, o pino deve girar imediatamente sem folgas de forma suave e sem pulos ou resistência excessiva. Caso aconteça de o pino demorar a girar ou folga na engrenagem, isso vai causar folga da afinação.

    Estabilidade da Afinação

    Tarraxas de alta qualidade prendem a corda e não deixam a afinação ser afetada com facilidade mesmo com o uso intenso do instrumento. As engrenagens alta qualidade são feitas com usinagem de precisão, enquanto as mais baratas costumam ser de liga fundida (die-cast) de baixa qualidade, que gera um desgaste rápido. Quanto maior a razão de engrenagem (ratio) dessas (como 18:1 ou 21:1), maior o ajuste micrométrico da afinação.

    Blindagem e Material

    Tarraxas de boa qualidade usam materiais mais resistentes e evitam pinos e botões de plástico. No geral há dois tipos: blindadas e abertas. As blindadas protegem mais a engrenagem de sujeira e corrosão, o que não quer dizer que não existam abertas de alta qualidade.

    A Pestana (Nut): O Ponto Zero da Escala

    A pestana determina o espaçamento entre as cordas e a altura inicial da ação das mesmas. Uma pestana com um material inferior ou não regulada corretamente pode prejudicar a tocabilidade, requerendo mais esforço da mão e dos dedos para pressionar as cordas, além de prejudicar o som podendo trastejar desnecessariamente ou abafar um pouco a propagação do mesmo.

    Pestanas de alta qualidade no geral são produzidas com osso natural, por ser rígido e denso, por materiais alternativos de alta tecnologia como o TUSQ. Além disso, elas devem ser devidamente rebaixadas, lixadas e acabadas para evitar que que os problemas como acima descritos aconteçam.

    O Ângulo de Quebra e a Inércia

    O ângulo em que a corda desce da pestana para o pino da tarraxa influência no som, pois se a inclinação estiver correta nas fendas da pestana, isso pode evitar chiados indesejados. A densidade e rigidez presente nas madeiras da cabeça do violão influência na inércia vibracional do braço. Se essa parte não for densa o bastante, isso pode resultar em “notas mortas” soando em determinadas regiões da escala.

    Dica de Especialista

    Caso aconteça de a corda ficar com dificuldade de se movimentar (ficando presa) na pestana, você pode no momento de trocar as cordas, aplicar um pouco de grafite nas fendas da pestana. Isso evita que ocorram estalos chatos na hora de girar a tarraxa.

    O Braço (Neck) – A Pista de Performance e Ergonomia

    braço violão de nylon
    Braço do Violão

    Enquanto a cabeça é responsável pelo controle da afinação do instrumento, o braço é responsável por permitir que o músico desempenhe grande parte de sua técnica de forma confortável o bastante. Grande parte do contato físico do músico com o instrumento ocorre no braço, e caso esse esteja mau ajustado, pode acontecer de causar dores, fadiga e até desistência do aprendizado.

    Nessa parte o conforto é definido pelo o equilíbrio entre a tensão das cordas, a resistência da madeira e escala e trastes bem ajustados.

    O Tensor (Truss Rod): A Espinha Dorsal do Violão

    tensor para braço de violão
    Tensor para braço de violão

    O tensor é uma barra de metal (geralmente de ação dupla de 38cm a 46cm) que atravessa o interior do braço do instrumento. Ele é uma das peças mais importantes no violão, tendo sido mais utilizado principalmente dos anos oitenta para cá.

    Ele serve para contrapor a força de tração das cordas. Se as cordas curvam o braço para frente, o luthier ajusta o tensor para criar uma tensão oposta. Nem sempre o ideal é um braço perfeitamente reto, pois ele precisa de um leve “alívio” (relief) para que as cordas tenham espaço para vibrar sem bater nos trastes, evitando assim o trastejamento. Tensores de alta qualidade no geral são produzidos com aço robusto e permitem ajuste bilateral (bidirecional).

    A Escala (Fretboard) e o Raio

    A escala é uma lâmina de madeira densa e rígida (Jacarandá, Ébano, Pau-Ferro) mais fina colada sobre o braço do instrumento. Violões de aço costumam ter uma escala levemente curvada (radiada) para facilitar a execução dos acordes, costumam ter escalas planas (flat) para favorecer a técnica clássica de dedilhado e aberturas de mão.

    Escala de alta qualidade deve ser composta de uma madeira de boa qualidade e estar perfeitamente reta, alinhada com o braço, os trastes devidamente encaixados, sem torções, descolamentos do braço e sua superfície ser lisa e não áspera.

    Dica de Especialista

    Evite escalas pintadas (que imitam madeira escura) em violões de valor mais alto, pois a pintura pode descascar e indicar que foi utilizado madeira de baixa qualidade.

    Trastes (Frets) e Casas

    Os trastes são os filetes de metal (latão, alpaca ou aço inoxidável) colocados precisamente (milimetricamente) de forma semitonal na escala dos violões para que o violão soe afinado. Trastes bem polidos e com as bordas arredondados além de propiciar um acabamento melhor ao instrumento, também propicia mais conforto ao músico, evitando arranhar e cortar os dedos e suas pontas. Caso haja algum desconforto na sua mão por conta dos trastes, seu instrumento pode precisar de um serviço de luthieria chamado Retífica e Nivelamento.

    Marcações (Inlays)

    Essas marcações são pontos ou desenhos os quais são colocados na frente ou na lateral superior da escala. A função desses pontos não é apenas decorativa, e sim propiciar ao músico marcações visuais para ajudá-lo a localizar rapidamente as notas nas casas 3, 5, 7, 9 e 12. Em instrumentos de entrada, essas marcações são feitas geralmente de plástico (ABS) imitando madeiras, enquanto que instrumentos premium elas podem ser de madrepérola ou abalone, adicionando um valor estético e patrimonial ao violão.

    O Corpo (Body) – A Caixa de Ressonância e a Voz do Instrumento

    corpo do violão de frente apoiado em um suporte no chão
    Corpo do violão de frente apoiado em um suporte no chão

    O corpo do violão é a parte onde a física acústica acontece da forma mais intensa possível, pois é onde quase 100% da vibração do instrumento ocorre. Sua função é amplificar a vibração das cordas e projetá-las através do ar, o que não seria possível fazer apenas com as cordas sozinhas, pois seriam quase inaudíveis. Além de propiciar uma qualidade estética ao instrumento, também define a sonoridade do instrumento, se ele terá graves estrondosos ou um timbre mais focado e brilhante.

    O Tampo e a Boca (Soundhole)

    buraco e roseta de um violão sete cordas
    Buraco e roseta de um violão sete cordas

    O tampo representa para o violão de 70% a 90% de sua capacidade e identidade sonora. Sua função é converter a energia das cordas para um som audível. No centro do tampo está a boca, que permite que o ar movido pela vibração interna saia da caixa.

    O tamanho e o formato da boca do violão influenciam a resposta dos graves. Para o tampo vibrar livremente e evitar que imploda no instrumento por conta da tensão das cordas, ele é suportado por um conjunto de ripas de madeiras colados na parte de dentro do caixa acústica em um padrão especifico.

    O Cavalete (Bridge) e o Rastilho (Saddle)

    cavalete e rastilho de um violão sete cordas
    cavalete e rastilho de um violão sete cordas

    O cavalete é uma peça colada diretamente no tampo sobre o tampo do violão. É a peça que segura a tensão das cordas e o rastilho, além de aplicar sobre o tampo a vibração das cordas.

    O rastilho é o equivalente à pestana, mas no corpo do violão. Ele determina a altura da ação das cordas na parte inferior e é fundamental para a oitava (entonação) do instrumento. Se o rastilho estiver na altura errada, o violão ficará mais duro para tocar ou soará desafinado nas casas mais altas.

    Para travar as cordas no cavalete, em violões de nylon geralmente amarrasse as cordas nele enquanto em violões de nylon as cordas são presas utilizado pinos ou amarradores.

    O Escudo (Pickguard)

    corpo de violão dreadnought com escudo (pickguard)
    Corpo de violão dreadnought com escudo (pickguard)

    O escudo, presente em violões de aço geralmente, é uma lâmina (geralmente de celuloide ou PVC) colado ao lado da boca do tampo. O objetivo desse escudo é proteger a madeira do tampo contra os riscos das palhetadas mais agressivas ou golpes percussivos. Essa peça é indispensável para preservar o acabamento da madeira maciça.

    Roldanas e Jacks

    homem segurando violão e mostrando o conector p10 com um cabo p10 conectado
    Violão eletrico com cabo P10 conectado no contector P10

    As roldanas (strap buttons) são os pinos onde você prende uma correia para permitir você tocar em pé. Em violões eletroacústicos, a roldana inferior muitas vezes serve também como o jack, a entrada onde você conecta o cabo P10 para ligar o violão em um amplificador ou mesa de som.

    Dica de Especialista

    Existem violões com tamanhos de corpo diferentes (Dreadnought, Parlor, Auditorium) e essa escolha deve se dar sobre seu estilo e biotipo e não apenas de “quanto maior, melhor”. Violões com corpos maiores (como o Jumbo) entregam graves potentes, mas podem ser desconfortáveis para pessoas menores ou para quem busca um som mais equilibrado para gravações de estúdio.

    Parte Elétrica – Amplificando a Essência Acústica

    violão cutway mostrando saida p10 e compartimento de bateria
    Violão cutway mostrando saida p10 e compartimento de bateria

    Nem todos os violões são apenas acústicos. Existem variações desse instrumento projetados como eletroacústicos, o qual são compostos de sistemas e hardware que permitem a conexão em caixas de som, mesas de som e interfaces de gravação. Entender isso é importante para quem pretende tocar em bares, palcos, igreja ou mesmo produzir conteúdos para a internet.

    No violão, a tecnologia dos captadores e sua parte elétrica é mais discreto que na guitarra porque o foco é maior na fidelidade tonal. Já nas guitarras, as partes elétricas e magnéticas são visíveis. A parte elétrica nesse instrumento é composto de algumas partes.

    Captadores

    boca do violão com captador móvel por debaixo das cordas
    Boca do violão com captador móvel por debaixo das cordas

    O captador é responsável por captar a energia da vibração mecânica das cordas e convertê-lo em sinal elétrico e envia-lo para o pré-amplificador. Há alguns tipos de captadores e o mais comum encontrado em violões elétrico é o Captador de Rastilho (Piezo). Ele é cristal piezoelétrico que fica escondido logo abaixo do rastilho funcionando diretamente no cavalete e captando a pressão mecânica e a vibração das cordas.

    Sistemas Híbridos (Microfones Internos)

    parte interna do corpo do violão mostrando microfones, jack de saida e pre amp
    Parte interna de um violão elétrico

    Como forma de complementar a captação, geralmente em violões mais caros, costuma-se utilizar mais um sistema de captação além do Piezo no rastilho por exemplo. Ele é composto um pequeno microfone condensador dentro da caixa de ressonância o qual pega o “ar” dentro do corpo do violão enquanto o captador de piezo pega a vibração das cordas. O grande diferencial é que após serem captados, ambos os sons são misturados no pré-amplificador (blend) tendo como resultado o som mais natural possível, próximo de um violão microfonado em estúdio.

    O Pré-amplificador (Preamp)

    É a “caixinha” instalada na lateral do violão. Sua função é processar o sinal fraco do captador e prepará-lo para a saída. De forma geral, os pré-amplificadores contém alguns controles essenciais, como volume, equalização (Grave, Médio e Agudo), Afinadores Cromáticos, Fase (cancela o feedback, ou microfonia, em palcos barulhentos através da inversão das ondas sonoras).

    O Jack de Saída e o Compartimento de Bateria

    O Jack P10 é o conector fêmea localizado geralmente na lateral inferior do corpo do violão. Nele é conectado o cabo P10 por qual vai passar os sinais elétricos do Pré-amplificador para o Amplificador ou Mesa de Som. É importante ressaltar que quase todos os sistemas eletroacústicos são ativos, ou seja, dependem de uma bateria (geralmente 9V).

    Dica de Especialista

    Mantenha conectado o cabo do violão apenas quando estiver tocando e precisar que o som esteja conectado a uma mesa de som ou amplificador. Caso mesmo que não esteja tocando mas estiver conectado, a bateria vai ser consumida.


    Problemas que podem Acontecer com o Violão

    Uma vez que você entendeu quais são as partes do violão, veja abaixo quais são os problemas mais comuns com o violão e o que fazer caso isso aconteça.


    Conheça nossos outros guias

    Esperamos que esse guia das partes de violão tenha lhe ajudado. eja abaixo outros guias que podem lhe ajudar a entender melhor o violão como um todo, o que é essencial para quem deseja ou já está aprendendo esse belo instrumento e música como um todo.